Repórter X

2015-08-05

Repórter X - 013

O que terão em comum, para além de alguns ocupantes, duas casas tão distintas como o Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e a Casa da Toca (Sá, Monção)?

Estão à distância de 700 quilómetros uma da outra. Uma delas no Algarve, a poucos metros do mar, em zona que se distingue pela qualidade das praias; a outra no Minho, na montanha, a poucos quilómetros da entrada mais a norte do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A do Algarve em cor branca, clara como o clima que a rodeia no verão; a do Minho em granito com cor de pedra e madeira robusta, também à medida da chuva e nevoeiro que sobre ela se abatem no inverno. Apesar destes contrastes, ocorre um ponto em comum: muitos dos pequenos almoços aí servidos!

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O pequeno almoço é a principal refeição do dia. Quer-se forte, com energia e apetite. Café, muito café. Ovos mexidos quanto baste. Bacon à medida. Queijo fresco. Reforço em tomate, quer sob a forma de compota e/ou tomates fritos. Pão, o incontornável pão, torrado. Um sumo de laranja ou um simples refresco caseiro. E é assim que se fazem e se recomendam pequenos-almoços nestas duas casas.

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Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-07-31

Repórter X - 012

Nesta entrada faz-se uma referência a cinco restaurantes disponíveis à volta do Apartamento na Quinta do Lago, dois em Loulé e três em Faro. Estes restaurantes complementam um outro que foi anteriormente referido neste blogue.

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Chefe Branco - Rua de Loulé, 9, Faro. Menu variado em carne e peixe. Vinhos escassos mas com alguns dos mais populares a bom preço. O serviço de atendimento parece simpático mas deficiente. Escolheu-se uma acertada espetada de quatro camarões tigre com bacon, um bife de atum honestamente preparado e uma picanha, dita tropical. A torta de alfarroba com laranja foi também uma escolha acertada. Esta primeira visita é para repetir, tanto mais que oferece um menu prometedor.

Flor da Praça - Rua José F. Guerreiro, 44, Loulé. Grelhados saborosos a preço imbatível. Experimentou-se um sargo, sardinhas, costeleta de porco, e entremeada. Carne bem temperada e melhor preparada. Peixe fresco excelentemente grelhado, no ponto certo. A salada mista e sobretudo os carapaus grelhados de entrada, quando servidos, dão um toque de distinção. Das sobremesas experimentadas - melão e um fraco bolo de alfarroba - salvou-se a fruta. Nas bebidas limitou-se a escolha a cerveja e refrigerantes. Estamos perante um restaurante popular que parece uma escolha acertada para comer sardinhas.

O Grego - Rua Eng. Duarte Pacheco 116, Loulé. Serviço muito deficiente apesar da simpatia do proprietário, o tal grego. Não existe lista pelo que não restou alternativa senão experimentar o menu proposto. Este menu incluiu algumas entradas e dois pratos. O único que se aproveitou foram umas corgetes assadas no forno bem como um queijo Feta corrente, também ele escaldado no forno. Contudo, apesar destas parcas excepções, no geral, a comida é uma completa desilusão. Este Grego não possui cozinha mas sim uma série de improvisos a raiar a desonestidade, algo que já se tinha compreendido na refeição e que ficou mais cristalino no momento em que se acertaram contas e se pediu recibo. Apesar do espaço do pequeno pátio ser agradável, definitivamente não se recomenda e deve ser evitado.

O "Gimbras" - R. Gen. Teofilo da Trindade, 3, Faro. Esotérico é a primeira palavra que me ocorre. Experimentou-se a cataplana de peixe que se ficou pela mediana. O pernil à antiga estava excepcionalmente saboroso, mas o acompanhamento (quatro batatas assadas e duas fatias de laranja) foi decepcionante. A sala principal da entrada é também ela decepcionante. O serviço é pobre e pouco profissional. Carta de vinhos escassa e desactualizada. Sobremesas inexistentes.

Taska - Rua do Alportel 38, Faro. Espaço curto e apertado com comida algarvia em que se destaca o arroz de berbigão e o caril de gambas, opções que se mantêm imutáveis há largos anos no cardápio. São opções seguras mas que necessitam de ser reforçadas com outras opções. Durante a semana, ao almoço serve diárias. Um clássico a visitar periodicamente.

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Em síntese: um restaurante com qualidade na confecção da comida (Chefe Branco, Faro) recentemente descoberto e a explorar; um outro com traços populares e comida saborosa (Flor da Praça, Loulé); um terceiro que foi uma completa desilusão, mediocre mesmo (O Grego, Loulé); um outro com muita parra e pouca uva que também não se recomenda (O Gimbras, Faro); e, finalmente, um clássico das visitas ao Algarve que não oferece surpresas e aposta em pratos seguros (Taska, Faro).

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-07-26

Repórter X - 011

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A coluna de hoje debruça-se sobre uma piscina. A piscina do Victory Village Club, na Quinta do Lago, onde se escrevem estas linhas com o apoio duma rede Wi-Fi a funcionar com eficiência há aproximadamente um ano.

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Esta é uma piscina excepcional. Já foi vista cheia e vazia de água, limpa e suja, saturada de gente e sem ninguém, de dia e de noite, à tarde e de manhã, com portugueses e estrangeiros.

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No leque das funcionalidades, aquilo que mais se destaca são os três tanques que a tornam útil para qualquer idade. O tanque mais pequeno, aquele mesmo que possui o chafariz, com o seu 0,5 metro de altura é particularmente adequado para bebés e para os mais pequenos. Não há pequenote que não queira brincar com o repuxo da água. O segundo tanque é maior em extensão mas ainda assim também só serve para os mais pequenos, embora os maiores também lá possam brincar e chapinhar com a água! Finalmente, o maior tanque começa com uma altura de 1,3 metros e vai até aos três metros de altura.

Em área, a piscina não é grande - antes pelo contrário, em época alta pode ter algum movimento que recomendaria uma ampliação -, mas cumpre muito bem a sua função como piscina de recreação. Caso o nadador deseje dar expansão às suas braçadas, esta não é naturalmente a piscina mais adequada, a não ser que a utilize logo de manhã, altura em que está vazia.

Ainda em termos de funcionalidades, os apoios de camas e guarda-sóis são generosos e confortáveis bem assim como o bar, apesar deste funcionar somente em época alta. A estrutura deste bar é pequena mas cumpre plenamente o seu papel satisfazendo necessidades básicas. Não espere fazer uma refeição generosa mas a oferta disponível, incluindo uma série de saladas e o desenrascado bitoque, entre outras ofertas, serve para alimentar apetites básicos.

Este ano foram retiradas meia-dúzia de mesas e cadeiras em plástico horríveis, sendo substituídas por equivalentes com design italiano. Foi também acrescentada uma área junto do bar com deck próprio (foi-nos explicado que existem três tipos de decks, sendo que este, dito deck cerâmico, é o melhor), toldo e algum mobiliário daquele que agora se usa. Talvez não tivesse gasto os 5000 euros que estavam orçamentados para o efeito no condomínio, mas admito que estas pequenas melhorias façam falta e acrescentem valor.

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De resto, assinala-se o excelente cuidado que é colocado para que esta piscina esteja sempre impecável pois manter uma estrutura destas o ano inteiro não é fácil nem barato. Os próprios jardins e árvores a volta criam um efeito de resguardo, privacidade e protecção do vento que tornam o espaço imensamente aprazível. Mesmo quando na praia, ali ao lado, está algum vento, aqui não se faz sentir.

Este é inegavelmente um dos melhores sítios que existem para não fazer nada, a não ser que apeteça escrever algo a recomendar o seu usufruto.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-07-24

Repórter X - 010

A sugestão que se segue é adequada para os amantes de caminhadas. Trata-se de um trilho junto da vila de Melgaço. Quando o fiz fiquei a conhece-lo por Trilho das Pesqueiras, embora o Município de Melgaço o intitule de Percursos Marginais do Rio Minho. Começa precisamente na Alameda Inês Negra, na vila de Melgaço. Possui aproximadamente seis quilómetros que se percorrem num período de aproximadamente duas horas.

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Para uma melhor caraterização do percurso, nada melhor do que recorrer às palavras do material de promoção do trilho: «A partir do centro da Vila o percurso desenvolve-se pela encosta das Carvalhiças, através de arruamentos existentes pela encosta das Carvalhiças, cruzando o regato Rio do Porto na Ponte Pedrinha. Segue-se um pequeno troço em que o trajecto coincide com a Avenida 25 de Abril, que estabelece a ligação ao Centro de Estágios. Chegado a este ponto, o percurso atravessa o coração do Centro de Estágios até atingir o pinhal, junto à área técnica da Piscinas Municipais Descobertas, onde se inicia um tramo de 150ml em caminho de terra e pedra. De seguida o trilho segue sobre o trajecto de uma antiga levada de água, actualmente desactivada, através de um passadiço em madeira com cerca de 1500ml de comprimento e 1,2m de largura. Este passadiço desenvolve-se na encosta do rio Minho e permite aos utentes apreciar as magnificas vistas sobre o património natural do rio Minho e a sua envolvente directa. O passadiço termina numa pequena área de lazer, seguindo o trilho, também na encosta do rio Minho, até ao Centro Hípico de Melgaço através de caminho em saibro. A partir deste ponto o trilho desce até à Veiga de Remoães, atravessando aquela zona agrícola. Finalmente, depois de entrar no núcleo urbano de Remoães, o trilho segue até à entrada norte das Termas do Peso pela zona da Folia, onde termina.»

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É um trilho de baixa dificuldade no qual destaco três pontos principais. O primeiro ponto de interesse é naturalmente o da partida, na bonita vila de Melgaço. Depois, a meio do percurso, o rio - agreste e deslumbrante - vê-se a partir do passadiço em madeira em zona alta que nos vemos obrigados a percorrer. Nessa zona são também visíveis algumas pesqueiras, património histórico e simbólico duma atividade que, apesar de ter vivido melhores tempos, ainda se vai praticando de forma residual e amadora. Finalmente, o terceiro grande ponto de interesse, no final do percurso, são as Termas de Melgaço, recentemente revitalizadas e abertas ao público depois de imensos anos de relativo abandono.

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Pela sua originalidade e pela forma como foi desenhado, captando vários pontos de interesse (outros existem para além daqueles que destaquei), este é um trilho que vale a pena percorrer.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-07-08

Repórter X - 009

Quando me disseram que tinha aberto um salão de chã em Monção não quis acreditar. Pensei que estavam a brincar comigo. Se fosse uma cervejaria, uma taberna, um wine bar, ou uma tasca, acreditaria piamente; mas um salão de chã parecia brincadeira.

Abrir uma salão de chã em Monção - terra famosa pelos seus vinhos da casta Alvarinho e com uma cultura alcoólica instituída - seria o equivalente a abrir uma charcutaria ou um talho especializado em carne de porco num país muçulmano! Ou seja, uma autêntica heresia!!

Mas na verdade não estavam a brincar. Era mesmo a sério. O salão de chã em causa abriu em 2014 com o nome Vintage. Carrega a assinatura coffe and tea (afinal o café vem em primeiro lugar!) e, como pode ver-se nas fotografias, possui uma estética também ela vintage.





O primeiro e principal destaque vai para o espaço. Este Vintage encontra-se localizado nos terrenos do Palácio da Brejoeira, na freguesia de Pinheiros, a menos de cinco quilómetros do centro da vila de Monção, aproveitando de forma original e eficaz uma estrutura aí existente.

Para os menos familiarizados com o local, é também nos terrenos do Palácio da Brejoeira que se produz um dos vinhos alvarinhos mais famosos da região: o próprio ... Alvarinho Palácio da Brejoeira. Daí que a visita ao Vintage possa justificar a visita ao próprio palácio e aos seus jardins e bosque e, eventualmente, aos terrenos de cultivo da vinha e instalações de vinificação.

Mas voltemos ao Vintage que quanto ao resto, espero referir-me numa outra oportunidade.





Das escassas visitas ao local, reteve-se na memória um serviço de chã com alguma variedade e bem prestado. Não se avaliou com detalhe o menu mas existem scones, bolos, waffles (não confundir com wafers; as coisas que se aprendem a pesquisar para esta coluna), e coisas do género. O Earl Grey pedido estava bem preparado e vinha servido em bule individual. De resto, o espaço, embora pequeno, é aprazível e recomenda vivamente um chá das cinco. Vintage, claro.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-06-25

Repórter X - 008

Começa hoje a 12.ª edição do Festival Med. Trata-se de evento que tem uma marca afirmada em Portugal naquilo que é a World Music. Merece atenção não só por isso mas também porque ocorre no centro de Loulé, a escassos quilómetros do Apartamento na Quinta do Lago.



Aquilo a que se convencionou chamar World Music não é a minha praia. Longe disso. Apesar da designação trazer consigo propostas de som alternativo, na verdade o termo sempre me pareceu uma designação que os anglo-saxónicos arranjaram para sons de outras geografias que não cabiam no seu repertório convencional. O que provoca o efeito de serem catalogadas propostas muito diferenciadas com o mesmo carimbo.

Por causa disso, bem ou mal, talvez de forma algo redutora mas mais consistente, eu associo o movimento a uma espécie de corrente post hippie.

A diversidade a que me referia - pelo menos em termos geográficos - está também ela presente no Festival Med. Em cada ano, este festival - também ele um festival de verão - apresenta no seu cartaz propostas variadas e de proveniências distintas. Por exemplo, nas dezenas de nomes de 2015, para além de Portugal, temos músicos de países tão distintos como Coreia do Sul, Israel, Peru, Brasil, Espanha. E, claro, não podiam faltar os africanos: Guiné Bissau, Congo, Nigéria, Angola, etc..

Se por um lado, esta opção pela diversidade parece incontornável, o preconceito de que a designação Med poderia querer restringir as sonoridades à orla do Mediterrâneo não passa disso mesmo.


Clique para aumentar

Este festival anual ocorre quase sempre no final de junho. Atendendo a que os meses de junho ou mesmo maio são dos melhores para desfrutar do Algarve, fica feita esta proposta de sons alternativos em Loulé. Este ano, lá estarei a experimentar a World Music de nomes em que nunca tinha ouvido falar.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-06-10

Repórter X - 007

Talvez o leitor deste blogue não saiba onde é Tangil. Se lhe disser que é uma freguesia remota do concelho de Monção, ali para os lados de Merufe e Riba de Mouro, também elas freguesias de Monção, talvez fique na mesma. Mas se lhe disser que não é no fim do mundo, mas é lá perto, talvez me comece a compreender.

Vá por onde vá - vindo directamente de Monção, Melgaço ou Arcos de Valdevez - para lá chegar terá sempre que fazer muitas curvas. Muitas curvas depois chegará a uma das partes do Minho mais interior, rural e profundo que se conhecem. Com muitos montes à volta e o Parque Nacional da Peneda-Gerês ali perto. Estamos em zona montanhosa.

Para aqueles lados, a minha preferência vai o costeletão do restaurante do senhor Fernando em Santo António de Val de Poldros, um lugarejo ainda mais distante a que espero referir-me noutra ocasião. O que quero provar agora é que naquelas paragens, a uma dúzia de quilómetros da Casa da Toca, há programas alternativos de montanha.



Está tudo ainda por explorar mas paulatinamente vão-se estruturando ofertas de lazer que vale a pena conhecer. É exemplo disso, o "passeio" BTT e atividades associadas (caminhada e mini BTT) propostas pelos Amigos da Bicicleta e pela Casa do Provo de Tangil.

Em 2015 ocorrerá a sétima edição do evento, agendada para 18 de junho próximo. O percurso BTT - do que vi num outro vídeo fiquei com a ideia de que chamar-lhe "passeio" é um eufemismo dos amigos da bicicleta de Tangil - tem aproximadamente 30 quilómetros, mas a caminhada (15 kms) e o mini-BTT (10 kms) prometem estiradas menos violentas.



Seja sob a forma de BTT ou caminhada, fica feita a sugestão para explorar os montes das freguesias mais interiores e de montanha do concelho de Monção, já próximos dos concelhos de Arcos de Valdevez e Melgaço. Sítios deslumbrantes que garantem boas fugas.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-05-23

Repórter X - 006

A Festa da Coca celebra-se na quinta-feira, dia do Corpo de Deus, em Monção. Como consequência do fim deste feriado nacional, a festa viu o seu momento mais popular - o combate entre a Coca e São Jorge - transferido para o domingo seguinte, este ano agendado para 7 de junho.

O programa da festa tem outros eventos, mas é sobre a luta entre São Jorge e a Coca que quero falar. Depois da procissão solene do Corpo de Deus, o combate decorre no Souto, numa espécie se anfiteatro natural. De um lado, a Coca - dragão movimentado por homens; do lado oposto, São Jorge, representado por um cavaleiro.

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O combate costuma ser relativamente curto e pode até ter alguns momentos exasperantes, sobretudo quando o cavalo de amedronta com o dragão, quando este tem pouca genica ou quando ambos se estudam um ao outro em demasia sem afrontas. Não devem ser esperados momentos de grandes cavalgadas ou um combate glorioso carregado de êxtase mas antes tentativas pensadas em que São Jorge procura enfiar a lança na boca da Coca e cortar-lhe as orelhas, enquanto esta persegue e amedronta São Jorge e o cavalo.

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Segundo a lenda , quando São Jorge ganha, o ano agrícola é fértil; quando é a Coca que vence o ano agrícola é mau. Diz-se que o povo está do lado de São Jorge. Mas confesso que tenho uma secreta simpatia - talvez uma malvada preferência - pela Coca, dragão que muito raramente vence São Jorge. Lá no fundo, embora o povo deseje que o ano seja bom, também nutre um especial carinho pela Coca, afinal de contas um ex-libris de Monção.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-05-12

Repórter X - 005

Vale sempre a pena procurar circuitos alternativos que distribuam cinema com respeito pelo espectador e o poupe ao ruminar dumas quantas pipocas. O Cineclube de Monção tem cumprido esse papel desde meados da década de 1980, a que tem aliado outras iniciativas como é o caso de exposições de filatelia.

Desde os seus primórdios nas instalações do Teia Clube onde exibiu muito bom cinema - recordo-me por exemplo de um excelente ciclo dedicado a Werner Herzog a que assistimos menos de meia-dúzia de curiosos -, ao longo dos anos as suas projecções têm passado por outros espaços de que é exemplo a Casa do Curro. Do que se me é dado a observar, presentemente é o renovado Cine Teatro João Verde que recebe a sua programação. Não sei com que regularidade - talvez uma vez por mês em média, aqui e ali com alguns meses mais intensos e outros menos intensos.



A programação de maio e junho de 2015 está clara. Nestes dois meses, a principal sala de espetáculos de Monção inclui quatro filmes com a chancela do cine clube local, entre eles Viagem ao Princípio do Mundo do incontornável Manoel de Oliveira que será exibido depois de amanhã.

Para além da programação do cine clube, o Cinte Teatro parece fazer justiça ao seu nome e à sua história e projeta outros filmes. Fá-lo habitualmente no fim de semana, neste caso inseridos no circuito comercial regular. Entre as propostas em cartaz destaco o recente Mad Max - Estrada da Fúria (George Miller, 2015).

De entre todos estes filmes quero, contudo, assinalar aqui uma comédia dramática italiana que será exibida no dia 18 de junho pelas 21:30 horas. Não vi este Viva a Liberdade (Roberto Andó, 2013) mas possui seguramente um argumento atrativo e muito atual. Em ano eleitoral, e com toda a loucura à mistura que isso implica, recomendo este Viva a Liberdade. Vivamente.
«Em Itália, as eleições aproximam-se. As sondagens revelam resultados pouco animadores para o secretário-geral do partido da oposição, Enrico Oliveri. Depois de um debate, ele desaparece sem deixar rasto. A sua comitiva e a sua mulher tentam encontrá-lo, mas é preciso fazer alguma coisa enquanto não o conseguem. Felizmente, Enrico tem um irmão gémeo, Giovanni. Infelizmente, ele acaba de sair do manicómio. Mas não há alternativa senão pô-lo no lugar do secretário e torcer para que ninguém perceba que ele está diferente. Esta tarefa é que se revela mais difícil. "Optimismo ao poder" passam a ser as palavras de ordem. A poesia entra na política. A proximidade com as pessoas aumenta. Mas a grande surpresa é esta: o discurso do político – supostamente, um louco – nunca foi tão lúcido, relevante e acutilante. Um filme dirigido por Roberto Andò, que parodia o sistema político italiano e questiona os contextos de crise. Andò também co-escreveu (em parceria com Angelo Pasquini) o argumento, que foi premiado pelo Sindicato Nacional Italiano dos Jornalistas de Cinema. O protagonismo está entregue a Toni Servillo, que interpreta os dois irmãos gémeos, contracenando com actores como Valerio Mastandrea (o assessor) ou Valeria Bruni Tedeschi (a mulher).»



Em síntese, sempre que passar por Monção, vale a pena espreitar a programação do Cine Teatro João Verde e estar atento às propostas cinematográficas do resistente Cineclube de Monção.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-04-25

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Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-03-17

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Depois de as duas entradas anteriores de Repórter X terem sido preenchidas com sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago, no Algarve, ruma-se agora a norte, para junto da Casa da Toca, no Minho. Onde é incontornável uma ou outra referência ao vinho verde, em particular o Alvarinho, talvez a principal fonte de rendimento da economia dos concelhos de Monção e Melgaço.

Poderia aqui sugerir-se um ou outro vinho das inúmeras ofertas existentes no mercado, mas a escolha recai antes numa das empresas do setor, a PROVAM. Em vez de um único vinho, vários vinhos duma vez.



A PROVAM - Produtores de Vinho Alvarinho de Monção, Lda., é uma empresa com pouco mais de 20 anos de idade e que construiu uma posição de destaque no cluster do Alvarinho.

Pergunta o leitor, e pergunta bem: e porquê recomendar aqui a PROVAM e não qualquer outra empresa como, por exemplo, a Adega Cooperativa de Monção, a Quintas de Melgaço ou uma das várias quintas existentes? Por um motivo simples e prosaico: vários dos seus produtos já foram testados, e, não menos importante, na óptica deste espaço, a empresa está instalada a menos de meia-dúzia de quilómetros da Casa da Toca, na freguesia de Barbeita, exatamente a meio do percurso entre a Casa da Toca e a vila de Monção. O que naturalmente, só por si, justifica uma visita para abastecimento.



Entre os seus produtos, é o Varanda do Conde - um verde que incorpora as castas Alvarinho e Trajadura - aquele que mais habitualmente compro (e consumo), aqui e ali complementado pelo Portal do Fidalgo (a sua marca de entrada no Alvarinho) e o Vinha Antiga (um Alvarinho superior). Para além destes, a empresa tem outras ofertas na sua carteira, incluindo espumantes e provavelmente alguma aguardente.

Sendo um produtor, a sua vocação não é naturalmente o retalho e a venda ao público, mas não se iniba de lá passar porque existem condições suficientes para ver os produtos expostos numa pequena vitrina e poder adquiri-los. Sempre fui bem atendido e de forma profissional, por um preço que justifica bem a visita.

Precisamente por causa disso e porque esta empresa, embora jovem, representa do meu ponto de vista o resultado positivo de muitos anos de trabalho em torno de uma casta e de um vinho, só posso recomendar a visita e a aquisição dos seus produtos no próprio local. A menos de meia-dúzia de quilómetros da Casa da Toca.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-02-22

Repórter X - 002

O percurso aqui retratado reúne dois trilhos localizados no final da Ria Formosa, a escassas centenas de metros do Apartamento na Quinta do lago. Inicia-se junto do lago que confere o nome à Quinta do Lago.



Depois do lago começa o instituído Trilho da Quinta do Lago com 2,3 quilómetros. São os primeiros quilómetros com algumas zonas com areia a requererem maior atenção. Os mais incautos ficam presos. Logo a seguir aparece o passadiço em madeiro que permite atravessar a Ria Formosa para aceder à praia. Talvez por causa da sensação de risco, - tem mesmo que se baixar a cabeça senão fica-se decepado - dá especial gozo acelerar por debaixo do passadiço.



O percurso continua com a Ria Formosa do lado direito e o campo de golfe do lado esquerdo.



De imediato surge o segundo trilho, Trilho de São Lourenço, instituído com 3,2 quilómetros. Poucas centenas de metros depois aparece o primeiro posto de observação de aves.



A meio do Trilho de São Lourenço desvio para o Ludo, zona salina entre a Quinta do Lago e o Aeroporto de Faro. As suas longas rectas em terra batida dura são um convite a testar os limites. Em velocidade, a ondulação do terreno obriga a cuidados redobrados sob risco de despiste e aterragem numa salina.



As salinas oferecem paisagens deslumbrantes. Aqui podem ser observados aviões a descolar do Aeroporto de Faro. Depois de alguns quilómetros surgem os montes onde é acumulado o sal extraído das salinas.



A passagem de emergência para o aeroporto assinala a saída do Ludo e o regresso à Quinta do Lago, novamente no trilho de São Lourenço em zona ainda não explorada. Há vestígios da presença romana com tanques para salgar o peixe.



Serpenteiam-se os campos de golfe em percurso técnico e persegue-se de regresso à ponta final da Ria Formosa junto do passadiço, repetindo o Trilho da Quinta do Lago até ao restaurante Casa do Lago.



Mais detalhes.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-02-02

Repórter X - 001

Não tinha que ser, mas aconteceu com naturalidade, quase de forma incontornável: começar esta nova coluna, apresentada há dias, com um restaurante. Um restaurante chamado Tertúlia Algarvia que classifiquei com cinco estrelas.



Restaurante aberto em Agosto de 2013 e experimentado em Agosto de 2014. Ía-se com um pé atrás com receio de ser mais uma oferta banal para turistas, mas revelou-se uma escolha verdadeiramente acertada.

A comida pedida - tentáculos de polvo com grelos e batata a murro (12 euros), lulinhas fritas à algarvia (10,5), e lombinho de porco, amêijoas e xarém (14) - estava toda ela excelentemente confeccionada e equilibrada nos ingredientes escolhidos. Revelaram-se pratos tradicionais com uma ponta de inovação. A carta de vinhos mostrou-se escassa mas ofereceu a possibilidade de vinho a copo (escolhido o Lello, Douro branco, 1,8). A sobremesa - um fofo de chocolate com molho de frutos silvestres e sorvete de limão (4,2) - foi também ela partilhada e ricamente saboreada.

Em segunda visita de estudo, de natureza confirmatória, depois de um queijo de cabra gratinado com maça reineta (4,90), repetiram-se os acertados tentáculos de polvo e acrescentaram-se umas costelas de borrego com molho de hortelã (13), tendo-se rematado com uma tarte de requeijão com doce de abóbora e granizado de amêndoa amarga (4,9). A mais pequena gostou do bifinho de frango com batata frita e ovo estrelado, feito para crianças (6,5).

O espaço envolvente da esplanada na magnífica zona velha de Faro é também ele imperdível. E finalmente uma rápida inspecção interior mostrou haver boas condições para os comensais que preferem abrigo. Enfim, altamente recomendável. A repetir.

Tertúlia Algarvia
Praça do Afonso III 15
8000-167 Faro
Portugal
+351 289 821 044

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

2015-01-17

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Repórter X é o nome de um novo espaço deste blogue sobre boa vida e sugestões para usufruto à volta do Apartamento na Quinta do Lago e da Casa da Toca.



O nome é, em primeiro lugar, o título duma longa-metragem que gerou o cartaz afixado na sala de estar da Casa da Toca. Sala, aliás, que partilha com retratos de outras personagens notáveis do Século XX português: Almada Negreiros (1893-1970) e Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918).



Repórter X, datado de 1986, foi visionado nessa época - não me recordo de todo onde mas muito provavelmente em ante-estreia na Barata Salgueiro - e o seu cartaz foi aí arrecadado.

De acordo com José Nascimento, realizador e produtor da obra, a ideia do filme terá nascido de uma conversa com José de Matos-Cruz. O argumento, assinado por Manuel João Gomes, José Álvaro Morais e pelo próprio José Nascimento resultou, ainda de acordo com José Nascimento, de um «cruzamento de contos publicados na revista Repórter X, revista editada por Reinaldo Teles».



O título deste espaço foi pois herdado do título de um filme e correspondente cartaz que, por sua vez, o foi buscar ao nome da revista homónima e ao pseudónimo por que era conhecido o seu fundador, Reinaldo Teles (1897-1935), personagem trágica e fascinante, com feitos assinaláveis no jornalismo e na ficção dos anos 1920. A curta vida deste repórter, as histórias e peripécias que gerou e a forma anedótica e casual como o pseudónimo foi criado justificam, só por si, esta referência. Mas Repórter X é sobretudo uma forma simples e despreocupada de intitular esta coluna.

O espaço que agora se apresenta não promete regularidade. Não garante mais do que um registo subjectivo baseado em gostos e desgostos. É também ele uma pequena homenagem a um cartaz e a tudo o que ele encerra mas é sobretudo um espaço para partilhar com os leitores deste blogue sugestões de boa vida à volta do Apartamento na Quinta do Lago e da Casa da Toca.

Repórter X, boa vida e sugestões à volta do Apartamento na Quinta do Lago (Almancil, Loulé) e da Casa da Toca (Sá, Monção).

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