2005-10-31

SAÚDE. O International Journal of Health Care Quality Assurance (volume 18, n.º 5) acaba de publicar o artigo "Quality evaluation in health care services based on customer-provider relationships" da autoria de Vasco Eiriz e José António Figueiredo. Neste artigo de abertura do último número da revista desenvolve-se um enquadramento conceptual para avaliar a qualidade dos serviços de saúde portugueses que se baseia na relação entre clientes e prestadores de serviços. Na identificação das mudanças em curso no sector da saúde em Portugal constata-se que os clientes destes serviços estão a alterar a sua atitude perante os cuidados de saúde tornando-se muito mais exigentes, algo que tem levado as organizações de saúde, tanto privadas como públicas, a desenvolver serviços mais orientados para o marketing. Reconhecendo a importância da avaliação da qualidade dos serviços de saúde como forma de melhorar a satisfação dos clientes e a eficiência organizacional, o artigo sugere que a qualidade dos serviços de saúde não deve ser avaliada exclusivamente pelos clientes. Partindo da verificação que os serviços de saúde são complexos, ambiguos e heterogeneos, os autores desenvolvem um enquadramento para avaliar os cuidados de saúde baseado na relação entre clientes (pacientes, seus familiares, e cidadãos) e fornecedores (gestores, médicos, outro pessoal técnico e pessoal não técnico) que considera quatro items de qualidade (orientação dos serviços para o cliente; desempenho financeiro; funcionalidade logística; e nível de competência do pessoal). Referindo-se ao artigo em editorial, a revista constata o seguinte: "In stage 1 of their important Portuguese study, Eiriz and Figueiredo look at broader customer expectation and satisfaction theory and practice before applying them to healthcare. They carefully unravel internal customer (health carer) and external customer (patient) expectation and satisfaction in Portugal’s increasingly competitive health service. Their analytical approach to defining and measuring quality outcomes help them to complete what most of us have found to be a challenging task. Readers, I’m sure, will look forward to their stage two results."

ESCOLAS DE NEGÓCIO. O Journal of Management Develoment dedica um número especial de 2005 (24: 9) às escolas de negócio. Entre os vários artigos com interesse conta-se "Strategy means choice: also for today's business school!" da autoria de Peter Lorange, reputado académico de estratégia e presidente do não menos reputado IMD.

2005-10-30


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2005-10-28

CONGRESSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. O programa do 3.º Congresso Nacional da Administração Pública, ambiciosamente subordinado ao tema "O Novo Ciclo de Desenvolvimento da AP: Abertura, Eficiência, Independência", parece ter matéria para todos os gostos. Dificilmente o seu objectico poderia ser mais explicito: "Contribuir para o debate e a apresentação de propostas e resultados úteis ao novo ciclo de desenvolvimento da Administração Pública, agora iniciado, e tendo em conta os atributos desejáveis de abertura, eficiência e independência estabelecidos no artº III-398 do Novo Tratado da EU." Decorre no final da próxima semana em Lisboa. Lá estaremos com "Redes de conhecimento na relação Universidade-Empresa", artigo que integra o sub-tema sobre "redes de conhecimento sobre gestão pública", embora, confesso, até agora não fizesse ideia o que diz o art.º 398 do Novo Tratado da EU.

200. Os 200 artigos mais extraídos do sítio da Emerald através da internet. Em primeiro lugar surge "From Marketing Mix to Relationship Marketing: Towards a Paradigm Shift in Marketing" da autoria de Christian Grönroos, publicado na Management Decision (32: 2). É, de facto, um clássico.

ESTRATÉGIAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO. Acaba de sair na editora Publisher Team o livro Estratégias de Internacionalização da autoria de Sebastião Teixeira e Henrique Diz que se apresenta nos seguintes termos:

O alargamento dos mercados é um dado de primordial importância no jogo da concorrência, agora já não apenas em relação às grandes unidades mas incluindo também as PME. A crescente internacionalização e o fenómeno da globalização têm vindo a conduzir as empresas – grandes e pequenas – para novas formas de concorrência e de organização. Cooperação, vantagens colaborativas, redes e concorrência colectiva são alguns dos novos vocábulos cujo aparecimento no mundo dos negócios traduz a nova realidade caracterizada pela tendência para as parcerias, a externalização de actividades, a recentragem nas competências nucleares e a necessidade de constituição de equipas internas transfuncionais e redes externas interempresariais. Neste contexto, estudar gestão estratégica sem ter em devida conta as estratégias de internacionalização, deixou de ter significado relevante. Neste livro procura-se fazer essa interligação e propõe-se um modelo destinado a servir de base à reflexão estratégica, aplicável especialmente às PME.

2005-10-27

FORMAÇÃO EM GESTÃO. Terminou há dias em Santiago do Chile o Global Forum on Management Education, justamente apresentado como o "the world's premier event for Academic and corporate leaders in the field of business and management education".

EMPREENDER BATE O EXPRESSO. Em 6 de Junho passado Empreender publicou um editorial intitulado "Uns e os outros" em que afirmava:

Foi também anunciado que os deputados deixariam de ter direito a uma reforma vitalicia ao fim de 12 anos de exercício da função. A medida anunciada era esta mas nos últimos dias umas largas dezenas de parlamentares, maioritariamente socialistas (mas não só) movimentaram-se nos corredores do poder para diferir a aplicação da medida para a próxima legislatura. Porquê? Porque eles próprios, atingirão 12 anos de funções no curso desta legislatura. E quantos milhares de funcionários públicos não teriam direito a uma melhoria da sua situação durante esta legislatura? Será que os deputados tinham legitimas aspirações e os outros funcionários públicos não? [...] Há em todos estes exemplos [n.r.: além dos deputados no editorial são dados mais exemplos] um contraste vergonhoso entre o que se apregoa e o que se pratica. É certo que muitas das medidas partiam de um pressuposto correcto e, algumas delas, eram em si acertadas, ainda que insuficientes. No entanto, rapidamente constatamos que este Governo não terá condições morais de as implementar.

O institucionalizado Expresso publicou ontem, 26 de Outubro, o seguinte:

No momento em que restringe privilégios a vários sectores do funcionalismo público, em que extingue subsistemas de saúde mais favoráveis, em que aumenta a idade para efeito de reforma, em que congela salários e progressões nas carreiras - nesse mesmo momento, José Sócrates e o PS permitem que as regalias e regimes especiais da classe política se prolonguem até 2009 e abranjam mais umas larguíssimas centenas de políticos no activo. Com que cara e com que moralidade podem o primeiro-ministro, o PS e os deputados em geral (cúmplices nesta artimanha processual em proveito próprio) encarar os juízes e magistrados em greve? Ou exigir que a generalidade dos funcionários públicos compreenda as dificuldades e aceite os sacrifícios? Não sobrará, no meio de tudo isto, um mínimo de vergonha?

Conclusão: Empreender bateu o Expresso com uma diferença de mais de quatro meses. É caso para perguntar: só perceberam agora?

DOUTORAMENTO SOBRE PLANEAMENTO ESTRATÉGICO. Intitula-se "Strategic Planning in Portuguese Higher Education Institutions" a tese de doutoramento que será objecto de prova pública no próximo dia 31 na Reitoria da Universidade do Minho, sita no Largo do Paço, no centro de Braga. Às 9:30.

2005-10-26

O VIROLOGISTA. Não, não é ficção sobre conspiração internacional. Ontem mesmo, Correia de Campos, Ministro da Saúde, afirmava que pretendia reunir "dentro de dias" com os virologistas portugueses. Ao que parece, de acordo com o ministro, esta coisa da gripe das aves abre uma "janela de oportunidades". Tanto assim é que, diz o ministro, pensa convocar outros virologistas portugueses que estejam a fazer "pos-docs" fora do país! Ora bolas, Empreender pensava que era a indústria farmacêutica que produzia vacinas, não os virologistas que Campos descortinou. Será isto um piscar de olho à indústria farmacêutica ou será que o que nós precisamos verdadeiramente é de uma vacina para o voo raso de aves raras?

MARKETING. Seis abordagens ao marketing que uma organização pode seguir. São as seguintes:

Growth Champion. This organization is highly valued within the company for its ability to drive revenue. It is considered as important as other major departments, such as finance and sales. It drives the company’s priorities and leads product innovation and new business development.
Senior Counselor. Functioning as a high-level advisor on marketing strategy to the chief xecutive officer and the individual businesses, the Senior Counselor leads major advertising, promotion, and public relations campaigns. Unlike the Growth Champion, however, it does not typically drive company-wide strategy.
Brand Foreman. Above all, the Brand Foreman is an efficient provider of marketing services, ranging from communications strategy to creative output and campaign execution, in support of the company’s key brands. It serves as the central manager of agency relationships, and is considered among the company’s most important support organizations.
Growth Facilitator. The Growth Facilitator has the authority and skills to develop and lead large, company-wide marketing efforts and helps set the business’s overall priorities. This marketing organization coordinates with other major functions, such as sales and product development.
Best Practices Advisor. The Best Practices Advisor works with the individual businesses to identify internal and external best practices and incorporate them into all marketing activities. This organization’s goal is helping the businesses achieve maximum effectiveness and efficiency, and it has expertise across all elements of the marketing toolkit.
Service Provider. This organization supplies marketing services such as advertising, promotion, and public relations at the request of the company’s brand and product teams. The Service Provider is effective at executing specific tasks and is responsive to time-sensitive requests.


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2005-10-25

INTEGRAÇÃO. Nem todas as instituições de ensino superior pretendem ser universidades no sentido restrito do termo. Luis Reto, presidente do ISCTE, afima hoje ao Diário Económico que "Estamos disponíveis para integrar o Instituto Politécnico de Lisboa", apesar do seu ensino ser universitário. Atendendo a que existem já universidades com ensino politécnico e politécnicos com ensino universitário, porquê manter esta distintição institucional? Se souber a resposta diga-nos.

CLÁSSICOS. "Is performance driven by industry- or firm-specific factors?" Esta é uma questão clássica que volta uma vez mais a ser objecto de debate no Strategic Management Journal (25: 11, Novembro de 2005).

PORTAL DE CONTABILIDADE. Um portal de contabilidade em Portugal. De acordo com a nota de apresentação do seu fundador o portal é "um projecto individual/pessoal, i.e., não está ligado a qualquer entidade, pelo que é compreensível que relevemos os nossos trabalhos".

2005-10-24

APRENDIZAGEM ESTRATÉGICA. A intersecção entre gestão estratégica e aprendizagem organizacional merece um artigo na Long Range Planning (38: 5, Outubro 2005) em que os autores (Michael Beer, Sven C. Voelpel, Marius Leibold e Eden B. Tekie) propõem um "processo disciplinado de desenvolvimento de equilibrio e alinhamento estratégico". Já agora, o artigo intitula-se "Strategic Management as Organizational Learning: Developing Fit and Alignment through a Disciplined Process"

DADOS QUALITATIVOS. Precisa de tratar dados qualitativos? Então pode começar por Qualitative Data Analysis: An Expanded Sourcebook de Matthew B Miles e Michael Huberman.

EMPREENDEDORISMO. Pedem-me uma dica sobre bibliografia de empreendedorismo. Pois bem aqui fica aquela que costumo recomendar:
  • Allen, Kathleen R. (2003). Launching new ventures: an entrepreneurial approach, Houghton Mifflin, Boston, MA
  • Allen, Kathleen R. (1999). Growing and Managing an Entrepreneurial Business, Houghton Mifflin, Boston, MA
  • Cruz, Eduardo (2003). Criar uma Empresa de Sucesso, Sílabo, Lisboa
  • Dollinger, Marc J. (2003). Entrepreneurship: Strategies and Resources, Prentice-Hall, Upper Saddle River, NJ
  • Hatten, Timothy S. (2003). Small Business Management: Entrepreneurship and Beyond, Houghton Mifflin, Boston, MA
  • Kaplan, Jack M. (2003). Patterns of Entrepreneurship, John Wiley & Sons, Hoboken, NJ.

2005-10-21


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PÚBLICO E NÃO LUCRATIVO. International Review on Public and Non Profit Marketing é uma revista relativamente recente que tem o seu Vol. 2, N.º 1 (Junho de 2005) disponível na internet. A revista é editada pela Asociación Internacional de Marketing Público y No Lucrativo.

2005-10-20

DE GRAÇA. Vale a pena lembrar que a Sage tem as suas revistas disponíveis gratuitamente até 31 de Outubro. É aproveitar.

COMPETITIVIDADE TERRITORIAL. Porto cidade região - Estratégias e Acções para a Competitividade decorre na próxima semana com temas tão interessantes como "Competitividade das cidades e regiões", "Inovação, competitividade e promoção de clusters intensivos em tecnologia" e "Infra-estruturas, redes e competitividade". Temas manifestamente interessantes e oportunos desde que não sejam desvirtuados com a ladainha da regionalização. Por coincidência, deverá sair no mesmo dia deste evento na revista Prémio um artigo da minha autoria intitulado "Competitividade territorial".

FALSA JUSTIÇA. O Governo veio ontem lembrar que existem dois critérios que sustentam a manutenção de uma série de SCUTs (auto-estradas sem portagem). Ou seja, diz-nos o Governo que enquanto uma região servida por uma SCUT tiver um rendimento per capita inferior à média nacional e, simultaneamente, não existir uma via alternativa a essa SCUT, então essa auto-estrada continuará sem portagens. Aparentemente há nestes critérios uma lógica indiscutível que apela à solidariedade nacional e à justiça. Acontece que para ser consistente com os princípios e a moral que advoga, então o Governo deveria diferenciar de forma completa as portagens em função do rendimento. Isto significaria que uma região em em que o PIB per capita fosse, por exemplo, de 70 por cento da média nacional, então as portagens aí praticadas deveriam ser de 70 por cento do preço médio (e não gratuitas). Na mesma lógica, uma região com PIB de 140 por cento da média nacional deveria ter portagens de 140 por cento do pReço médio das portagens nacionais. Infelizmente, ao contrário do que apregoa, esta não é a lógica que pratica. Se assim fosse, não permitiria que o IVA pago pelas portagens das pontes sobre o Tejo, região que possui claramente o PIB per capita mais elevado do país, fosse inferior ao IVA pago nas portagens de outras regiões com rendimentos inferiores.

2005-10-19

DARWIN EM PAÇOS DE FERREIRA. O Filipe Magalhães assinalou há momentos em aula que a expansão da IKEA em Portugal é um bom exemplo de pressão ambiental que vai levar à selecção natural de empresas portuguesas de móveis. Sem dúvida.

MATEMÁTICA COM SAÚDE. Aplicações da matemática na saúde. Aqui.

2005-10-18

LIDERANÇAS. Afinal de contas Peseiro sempre saiu. Em companhia com Andrade. Dias da Cunha deve ter pensado: "melhor vós do que eu".

TRENDS & FASHIONS. Um Workshop on Trends and Fashions in Management Studies. Inicia-se depois de amanhã no ISEG, em Lisboa.


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2005-10-17

DESENVOLVER PRODUTOS. A conferência de 2005 da Product Development and Management Association está aí à porta. Na brochura poderá encontrar os detalhes.

NOVO ERRO. Empreender voltou a errar. O centro de investigação referido aqui em baixo está localizado na Nova Zelândia, não na Austrália. Não deixa por isso de ser bizarro.

INVESTIGAR O ANTI-CONSUMO. Há centros de investigação para todos os gostos. Acabo de descobrir um que se debruça sobre o fenómeno do "anti-consumo". Chama-se International Centre for Anti-Consumption Research e leva acabo um simpósio em Junho de 2006. Sem surpresa, só poderia estar localizado na Austrália, local adequado para coisas bizarras mas também inovadoras.

EMPREENDER ERROU. A IKEA quer abrir duas lojas à volta do Porto, não uma, como erradamente afirmámos aqui em baixo. Melhor assim!

2005-10-14

PAÇOS DE FERREIRA. Discutíamos ontem em Gestão Estratégica de que forma as acções de um concorrente podem desencadear mudanças transformacionais. Pois bem, a primeira página do Público de hoje traz o que parece ser um exemplo interessante para as empresas de mobiliário de Paços de Ferreira. De acordo com a notícia, a IKEA prevê abrir três novas lojas em Portugal até 2012 (uma em Matosinhos e duas na grande Lisboa) a juntar aquela que já tem em Alfragide. É certo que ainda faltam alguns anos, mas em Paços de Ferreira que se cuidem.

CARTEL 2. Uma notícia que mostra simultaneamente a gravidade do comportamento empresarial em alguns mercados e a esperança de que esses comportamento serão penalizados. Não deixa aliás de ser siginificativo que isto ocorra no sector da indústria farmacêutica que por sua vez se relaciona com o sector de distribuição grossista de medicamentos que foi também acusado há dias de cartelização

A Autoridade da Concorrência condenou cinco empresas por concertação de preços, num processo de cartelização, que envolve 36 concursos públicos, para fornecimento de «tiras-reagente» a 22 hospitais de norte a sul do país, ao pagamento de uma coima total de cerca de 16 milhões de euros.

PRIVATIZAÇÕES LOCAIS. Irá decorrer na Universidade de Barcelona em Junho de 2006 um "international workshop" subordinado ao tema Local Goverment Reform: Privatization and Public-Private Collaboration. Agora que as autarquias portuguesas possuem "novas" lideranças, talvez seja oportuno colocarem em cima da mesa alguns dos tópicos propostos pela organização deste evento, sobretudo em torno do tema das privatizações. Enfim, um tema necessário para a agenda local.

2005-10-13


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2005-10-12

CARTEL. O cartel das farmácias não é só de natureza horizontal. Parece que também é vertical.

2005-10-11


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DEPRESSÃO. Tendo como fonte o Instituto Nacional de Metereologia, a comunicação social está a informar que o país está com uma depressão até quinta-feira. Empreender está convencido que a depressão começou bem antes do Vince e não vai passar quinta-feira.

2005-10-10

Prémio
VERÃO QUENTE
Por Vasco Eiriz

Terminou mais um Verão. Um Verão quente. Qual “silly season”, já não há memória de um Verão tão quente como este. Quente e seco. Com seca extrema ou severa.

A reincarnação do Verão quente de 1975 ocorreu com a proclamada intenção em expropriar activos da Bombardier, uma das muitas empresas que simbolizam a erosão competitiva de Portugal. Quando a erosão deixa de ser um processo estritamente morfológico e se estende à base empresarial de um país, o problema agrava-se. Quando isto acontece num Verão quente e seco, então todos os cuidados são poucos. Onde o Governo deveria dar sinais de encorajamento à reestruturação do tecido empresarial português, prefere dar um sinal de afastamento de investidores estrangeiros e de manutenção do estado actual da economia.

Além da protecção do emprego, o álibi da expropriação seria a manutenção de um centro de competências no país. Não se sabe que competências são essas. Tão pouco se sabe em que pé se encontra esta expropriação, um termo que definitivamente não rima com os tempos em que vivemos. Mas que este episódio foi um péssimo sinal para os investidores, lá isso foi.

Também o ICEP, a quem cabe responsabilidades importantes na promoção do investimento estrangeiro, parece não ter andado muito preocupado com o assunto. Lançou uma campanha na imprensa estrangeira suportada por um longo (e maçudo) texto intitulado “Portugal: A Passion for Innovation” no qual se vangloriavam os feitos inovadores das empresas portuguesas. Ora, qualquer potencial investidor que tenha tido o cuidado de ler o anúncio não deixará de notar o paradoxo de um país com tantos feitos tecnológicos mas incapaz de pôr no ar o sítio na internet aí divulgado. Será este um novo modelo de inovação estritamente baseado na paixão, mas sem resultados palpáveis?

Também neste Verão passou a ser possível criar empresas num único dia, apesar de, como vimos, encerrá-las ser bem mais difícil. O facto de se tratar duma experiência e, como tal, estar ainda restringida a algumas zonas do país, não retira mérito à iniciativa, caso ela se venha a disseminar. Trata-se, contudo, dum passo que coloca exigências ainda maiores em termos de licenciamento. Na verdade, são cada vez mais raros os negócios que não necessitam de algum tipo de licença, frequentemente envolvendo várias entidades. Facilitar a criação rápida de empresas sem actuar sobre o licenciamento e sobre a complexa teia de interesses nele instalada, significa fomentar empresas com actividades ilegais. Por isso mesmo seria importante que a “paixão pela inovação”, os choques e planos tecnológicos começassem por resolver os estrangulamentos mais elementares e que subsistem há décadas no país. Algo que requer tanto de inovação organizacional como de inovação tecnológica.

A propósito de inovação, neste Verão voltou a assistir-se ao que parece ser um dos melhores sintomas da nossa manifesta incapacidade de organização e alcançar resultados. Não, não se trata do défice, do PIB ou da balança comercial. Trata-se da forma como convivemos com os incêndios. Haverá algo mais visível do que os incêndios para ilustrar a nossa incapacidade em lidar com um problema? Ano após ano, continuamos a desconhecer as causas, improvisamos meios, discutimos soluções, mas não resolvemos o problema, não alcançamos resultados.

E tudo isto apesar do anúncio a que aludimos proclamar, logo a abrir, a capacidade das empresas portuguesas fornecerem “soluções inovadoras para problemas complexos” como, imagine-se, “combater incêndios por satélite”! Haverá maior paradoxo do que este? O que as imagens que chegam por satélite mostram não é nada disto. Vêem-se velhinhas desesperadas com alguidares, imensas acusações de fogo posto, resultados insuficientes na penalização, muito combate político por detrás das chamas, alguma lamentação pela escassez de meios, e, teme-se, muita desorganização. Muita desorganização. Nesta matéria, é provável que o próximo Verão volte a ser um Verão quente.

Referência original: Eiriz, Vasco (2005), Verão quente, Prémio, N.º 94 (23 de Setembro), p. 40

Outros artigos Prémio

Eiriz, Vasco (2005), Happy hour na auto-estrada, Prémio, N.º 86 (8 de Julho), p. 46
Eiriz, Vasco (2005), Ecologia organizacional, Prémio, N.º 81 (3 de Junho), p. 38
Eiriz, Vasco (2005), Estandardização e adaptação, Prémio, N.º 75 (22 de Abril), p. 48

2005-10-08

ÉVORA. Já está no ar o sítio das jornadas hispano-lusas de gestão. A submissão de artigos termina no final deste mês.

REDES DE CONHECIMENTO. Os artigos sobre "redes de conhecimento sobre gestão pública" a apresentar no congresso nacional de administração pública são os seguintes:
  • A confiança e o poder em relacionamentos inter-organizacionais: duas dimensões chave para o seu sucesso e estabilidade (Mário Batista Franco – Universidade da Beira Interior);
  • Sociedade, tecnologia e serviço público (Paulo Sérgio Ferreira – Universidade de Lisboa);
  • A aprendizagem organizacional: um novo paradigma a adoptar pelas organizações (Tânia da Costa Ferreira e Mário Batista Franco – Universidade da Beira Interior);
  • Redes de conhecimento na relação Universidade-Empresa (Vasco Eiriz – Universidade do Minho);
  • Informação geográfica – estrutura de inovação na Administração Pública (Teresa Serafino – Municípia, SA);
  • Metodologia para a implementação incremental de projectos de sistemas de informação em Unidades de Saúde (Luís Lapão e António Grilo – Instituto Nacional de Administração e NeoBiz Consulting);
  • Reorganização pública por intermédio de equipes de conhecimento (António Carvalho e Edson Oliveira – Universidade de Taubaté, Brasil)

2005-10-07

ROTINAS. O último número da Industrial and Corporate Change (vol. 14, N.º 5, Outubro de 2005) inclui uma secção dedicada à operacionalização do conceito de rotinas. O primeiro dos cinco artigos dedicados ao tema intitula-se "Applying organizational routines in understanding organizational change" e é da autoria de Markus C. Becker, Nathalie Lazaric, Richard R. Nelson, e Sidney G. Winter.


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2005-10-04

IDEIAS DE NEGÓCIO. Está em curso a nona edição do concurso de ideias de negócio da ANJE. Para jovens até 35 anos.

NOTÁRIO. Deve recorrer a um notário público ou privado? Esta é a questão que a DECO levanta e procura responder.

EMIGRAR. No Correio da Manhã de ontem:

"Para escaparem da crise, milhares de portugueses agarram na mala de cartão e partem à Procura de trabalho no estrangeiro. Mas do romantismo pimba de Linda de Suza não resta quase nada, só a frustração que historicamente levou a população nacional a emigrar. Os primeiros números de 2004 revelam um crescimento na chegada de portugueses a países como Suíça, Espanha, Andorra e França."

2005-10-03


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