Dissertação de mestrado

Girl Reclining, Elmer Bischoff (1916-1991)

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Transferência de Tecnologia para Spin-offs Universitárias - Estudo de Casos
Liliana Lima Lousinha Alves
2010

«A presente dissertação tem como tema de investigação a transferência de tecnologia sob a forma de patente para spin-offs universitárias. As singularidades desta transferência, relacionadas com o facto de o conhecimento ser gerado em âmbito académico, tornam este tema com interesse de investigação. Perceber quais as funções que os organismos universitários de apoio à transferência de tecnologia e empreendedorismo desempenham no processo; compreender as etapas do processo de transferência da tecnologia para spin-offs; identificar mecanismos de ligação à organização mãe; perceber o papel do financiamento universitário e externo no processo de transferência; identificar espaços de incubação da spinoff e compreender a sua posição em relação à incubação universitária são os objectivos desta investigação. Para alcançar os objectivos foram estudados quatro casos de transferência de patentes para spin-offs, pertencendo dois à Universidade do Minho e outros dois à Universidade do Porto. Como método fundamental de recolha de dados foram realizadas entrevistas aos organismos universitários de apoio à transferência de tecnologia e empreendedorismo, assim como a quatro académicos envolvidos na transferência de tecnologia para uma spin-off universitária. Dos dados obtidos concluiu-se que os organismos universitários de apoio das duas universidades estão mais presentes numa fase inicial do processo, diminuindo essa presença após a transferência da patente via licenciamento exclusivo para a spin-off. A partir daí a universidade encontra-se mais presente na spin-off através da marca universitária, importante na construção da rede de contactos. Dois dos casos tiveram financiamento de um grupo privado e outros dois financiamento de capital de risco. O financiamento mostrou-se importante para o desenvolvimento do produto, construção de instalações próprias e comercialização do produto. As divergências de conhecimentos e de opiniões entre financiador e académico, o “time-to-market” de tecnologias muito inovadoras, os custos associados à inovação, a conquista de credibilidade no mercado, a regulamentação da tecnologia e a crise financeira foram as principais dificuldades do processo referidas.»

Caixote de lixo



Circunstâncias do acaso fizeram-me revisitar um artigo sobre teoria das organizações publicado em 1972. Fiquei a compreender melhor o país e muitas das suas organizações.

O artigo intitula-se "The garbage can model of organizational theory", qualquer coisa como "O modelo do caixote do lixo na teoria organizacional" e foi publicado na revista Administrative Science Quarterly. Nele, os seus autores – Michael D. Cohen, James G. March, e Johan P. Olsen – constatam que existem organizações que actuam com uma grande variedade de escolhas que, frequentemente, são mal definidas. Além disso, não raras vezes, essas escolhas são inconsistentes entre si e não são partilhadas pelos membros da organização. São organizações que privilegiam acções pouco claras baseadas na tentativa-erro. Por outro lado, a forma como os seus membros actuam nessas decisões revela um envolvimento pouco persistente no tempo, sem objectivos também claros.

A metáfora do caixote do lixo é utilizada pelos autores como um receptáculo em que os diferentes membros da organização colocam vários tipos de problemas e soluções à medida que estes vão sendo gerados no seu dia-a-dia. Como num caixote de lixo, também em muitas organizações há lugar a todo o tipo de ingredientes, da mais diferente natureza. Nuns casos, esses ingredientes – ou se preferirem, o lixo – possuem uma relação entre si e daí que a metáfora do eco-ponto possa ser aplicada em algumas organizações. Noutros casos, de forma muito mais comum, os ingredientes (problemas e soluções) não possuem qualquer lógica ou sentido aparente e, à semelhança duma lixeira em céu aberto, não se descortina qualquer ordem.

Este tipo de organizações – a que os autores chamam anarquia organizada – é muito comum e o melhor exemplo desta forma de tomar decisões que eles identificam é o das universidades. Em contextos como este é muito frequente que os gestores encontrem soluções para problemas inexistentes. De igual forma, é também muito comum que não se descortinem soluções para os verdadeiros problemas. Ora, quando assim é, alguns problemas acabam por ser resolvidos mas não através das primeiras decisões e soluções. Dito de outra forma, não se resolvem, vão-se resolvendo.

Dissertação de mestrado

Farmhouse Garden, Alexei Jawlensky, 1907

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Redes Empresariais e Inovação nas Tecnologias de Informação e Comunicação
António Carlos Campos Martins Morgado
2009

«No dia-a-dia, as organizações tomam decisões que, muitas vezes, influenciam a sua eficiência e as suas orientações estratégicas. Assim, o conhecimento, as relações empresariais e a inovação constituem vantagens competitivas no paradigma da indústria global. Este trabalho centrou-se nas empresas nacionais localizadas no Minho, no sector das Tecnologias de Informação e Comunicação, na vertente do desenvolvimento de software, com o objectivo de determinar onde e como estas empresas adquirem conhecimento para as suas actividades de inovação. O estudo deu ênfase às interacções entre as várias empresas e instituições, pretendendo responder à seguinte questão: Em que medida é que as redes empresariais potenciam a inovação nas tecnologias de informação e comunicação no desenvolvimento de software? A capacidade inovadora das empresas está também relacionada com certas características intrínsecas, a saber: dimensão; tecnologias adoptadas; envolvente sócio-cultural com instituições; e proximidade geográfica. Ao estudar as empresas, bem como as interacções e o tipo de relações existentes entre estas e outras instituições, surge a oportunidade de uma análise da dinâmica inovadora deste sector, bem como o contributo das redes empresariais para o fomento da inovação em empresas e outras organizações.»

Dissertação de mestrado

Beach Girl, Henry Kondrack

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Modos de Entrada em Mercados Internacionais – Estudo das Empresas Casais e FDO
Fabrício Neves Barwinski
2009

«A internacionalização cada vez mais deixa de ser uma opção para tornar-se uma necessidade num mundo instável em que as empresas são colocadas à prova em termos de concorrência internacional, quer no mercado externo ou no interno. Diversas são as teorias que buscam compreender este processo e mais especificamente a análise dos diferentes modos de entrada disponíveis para cada empresa para cada mercado. Assumem especial destaque a abordagem nórdica, a teoria dos custos de transacção, a teoria da internalização, abordagem de rede e o paradigma eclético entre outras abordagens menos desenvolvidas como a teoria baseada nos recursos, a teoria da vantagem monopolística, o modelo relacionado à inovação, a teoria institucional, a abordagem estratégica e a perspectiva baseada no conhecimento. A escolha do modo de entrada é uma decisão de enorme importância para as empresas, pois tem impacto na performance internacional da empresa. Pode-se dividir os modos de entrada entre três grupos principais, exportações, alianças estratégicas e investimento directo no exterior. As exportações podem ser directas, indirectas ou por cooperativas de exportação. As alianças estratégicas podem ser divididas entre redes de cooperação, contratos de produção, licenciamento, franchising ou joint ventures. Por sua vez, o investimento directo no exterior pode ser realizado através de aquisições ou investimento de raiz. O sector da construção civil assume um enorme peso e importância em Portugal, em termos de geração de emprego, no Produto Interno Bruto e na obtenção de divisas provenientes de mercados internacionais. Este estudo visa, após analisar as diversas teorias relacionadas com a internacionalização e modos de entrada, compreender a influência de diferentes variáveis no processo de decisão de internacionalização. Assim, realizamos um estudo entre empresas do sector da construção da região do Minho, onde as empresas apresentam maioritariamente um cariz familiar.»

Dissertação de mestrado

St. Vladimir Street, Kiev, Max Baris

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Estratégia e Competitividade Territorial - Estudo de uma Rede Urbana no Baixo Minho
Nuno André Pinto Bastos Leite Silva
2009

«A competitividade territorial tem ganho relevo num mundo globalizado e em constante evolução. As cidades e as regiões, ao aperceberem-se da importância da sua afirmação internacional, procuram vantagens competitivas e modelos de intervenção coerentes com uma gestão estratégica do território. Com o objectivo de identificar caminhos para que a rede urbana de nome “Quadrilátero Urbano para a Competitividade, a Inovação e a Internacionalização” possa consolidar-se como a “terceira concentração urbana e de conhecimento” de Portugal, a investigação efectuada pretendeu contribuir para: avaliar a capacidade competitiva da rede para o Baixo Minho; melhorar a compreensão do tema no contexto estratégico das regiões; induzir melhorias nas políticas públicas; e, idealizar o Minho como “Região do Conhecimento”. O estudo desenvolvido apoiou-se na realização de treze entrevistas exploratórias, as quais envolveram pessoas directamente ligadas ao projecto e à rede urbana em causa. Todas as entidades entrevistadas reconheceram a importância da cooperação estratégica como resposta à complexidade que a equação da competitividade actualmente encerra. Este trabalho vem demonstrar a existência de um motor de desenvolvimento regional no Baixo Minho composto pelos quatro municípios do “Quadrilátero”: Barcelos; Braga; Guimarães; e, Vila Nova de Famalicão. Como verificámos, o aumento da competitividade de um território como este pressupõe a aposta no capital humano, no conhecimento, na criatividade e na excelência. A matriz territorial portuguesa não corresponde às dinâmicas nem às necessidades que emergem do próprio território. O “Quadrilátero” é disso bom exemplo, ao encontrar-se numa divisão territorial que coloca Barcelos e Braga na NUT III Cávado e Guimarães e Vila Nova de Famalicão na NUT III Ave, o que efectivamente não beneficia a estratégia nem a funcionalidade da rede: a regionalização tarda a implementar-se em Portugal. Esta falta de reconhecimento institucional dificulta a afirmação e a identificação natural desta rede. Enquanto região vitalista que é (portadora de dinâmicas e funcionalidades próprias), concluímos ser possível consolidar o sistema territorial do “Quadrilátero” não apenas como a terceira concentração urbana do país (que já é), mas também como uma área metropolitana policêntrica com escala para competir no mundo global.»