2016-02-11

Wine & Books

IMG_5555

IMG_5560

2016-02-08

Multinacionais e clusters

«A entrada de uma empresa multinacional num cluster, entendido como aglomeração geográfica, geralmente de pequenas e médias empresas, especializadas num sector e instaladas num determinado local ou região, produz efeitos sobre o cluster como um todo, sobre as empresas que constituem o cluster e sobre a multinacional. Nesta investigação foi dado especial enfoque nos impactos da entrada de numa multinacional num cluster e efeitos na estratégia das empresas instaladas nesse cluster. No sentido de compreender os principais efeitos da entrada de uma multinacional na estratégia das empresas instaladas num cluster, foi analisada a entrada da IKEA no cluster do mobiliário de Paços de Ferreira e Paredes. Neste estudo, a técnica de recolha de dados utilizada para obtenção de dados primários foi o inquérito por questionário, tendo sido obtidas 66 respostas válidas de empresas instaladas no cluster em análise. Na amostra predominam as microempresas e empresas em nome individual, o que corresponde à estrutura de empresas dominante no cluster do mobiliário. Em termos de resultados, mais de metade das empresas respondentes considera não ter havido impacto com a entrada da multinacional. No entanto, as empresas que consideraram ter havido elevado impacto, consideram que o mesmo foi negativo. Os fatores que melhoraram de forma mais significativa após a entrada da IKEA foram o desenvolvimento de novos produtos e as estratégias de exportação. As principais respostas das empresas à entrada da multinacional passaram pela internacionalização do negócio e pela aposta em estratégias de diferenciação e focalização.»
Este é o resumo da dissertação intitulada Entrada de Multinacionais num Cluster e Efeitos na Estratégia das Empresas Instaladas, da autoria de Diana Teixeira Carvalho, a que fiz referência há dias neste blogue.

2016-02-05

Museu do Alvarinho

IMG_0217

IMG_0225

IMG_0220

IMG_0231

IMG_0223

2016-02-02

Um diamante para o território



O que torna um território mais competitivo do que outro? Por exemplo, até que ponto a região entre o rio Minho e o rio Lima é mais ou menos competitiva do que a região do Tâmega, do Ave ou do Cávado? O que torna uma cidade ou uma vila mais competitiva e atractiva do que outra?

Estas são questões com que provavelmente o leitor já se confrontou. Quando avaliamos a maior ou menor atratividade dum local, seja ele uma freguesia, uma região, um país ou qualquer outro território, perguntamo-nos o que distingue um local de outro. A questão é importante porque nos ajuda a compreender o que está na base do desempenho de um território. Ajuda-nos igualmente a formular políticas públicas de âmbito local, mas também a tomar decisões nas organizações com que convivemos diariamente, sejam elas empresas ou qualquer outro tipo de entidade.

A interpretação mais apelativa para compreender os motivos por que um território é mais competitivo do que outro foi proposta por Michael Porter no seu modelo da vantagem competitiva das nações, popularizado com o nome de Diamante de Porter. O modelo foi desenvolvido e aplicado para compreender por que motivo um país é mais competitivo do que outro, mas, na verdade, ele pode ser aplicado a outros territórios como os anteriormente referidos.

Vejamos exemplos que têm tanto de original como de enigmático. Por que motivo Portugal é um país com competências reconhecidas na confecção e consumo do bacalhau apesar de este peixe não existir nas nossas águas? Por que razão existe à volta da cidade de Felgueiras uma forte indústria de calçado, apesar de a vizinha Guimarães ser tradicionalmente um concelho mais industrializado? Por que motivo o Alvarinho de Monção e Melgaço é melhor? Por que existe tradicionalmente em Valença um comércio mais forte? Por que Viana do Castelo e Ponte de Lima atraem turistas?

As respostas parecem simples, mas não são. Se fosse matéria simples, não seria difícil para um concelho ou para uma região formular políticas que melhorassem a sua competitividade, aferida pela atratividade que ela gera.

A resposta a este problema está no Diamante de Porter, que identifica quatro motivos para um território possuir vantagem sobre outros territórios: condição dos fatores; condições da procura; existências de sectores relacionados e de apoio; e estratégia, estrutura e rivalidade existente entre as empresas.

No primeiro motivo – a condição dos fatores – está em causa a base de recursos do território, sejam eles o petróleo, o sol, o conhecimento, as infraestruturas físicas e tecnológicas, a mão-de-obra, o capital, etc., etc. Por exemplo, a geografia justifica que a Suíça nunca será um país atrativo para turismo de praia no verão, da mesma forma que Portugal nunca conseguirá ser forte em turismo de montanha no inverno. Noutro exemplo, dificilmente um território conseguirá desenvolver uma economia de grande valor acrescentado e tecnologicamente intensiva se não tiver uma base de conhecimentos e engenharia também forte.

O segundo motivo – condições da procura – tem a ver com as características dos mercados locais. Por exemplo, um mercado grande, exigente e sofisticado nos seus hábitos de consumo, com propensão para experimentar coisas novas, favorece a inovação e o desenvolvimento de novos produtos e ofertas que vão de encontro àquilo que ele quer. Não resisto a dar o exemplo da confecção e consumo do bacalhau em Portugal. Apesar de o país não possuir o peixe nas suas próprias águas, não há no mundo quem cozinhe tão bem o bacalhau e de formas tão diversas e ricas como se faz em Portugal. Por que será? Pois bem, isso acontece em parte porque adoramos o bacalhau, somos exigentes com ele e comemo-lo como ninguém no mundo, tanto em quantidade como em sofisticação. Criou-se uma cultura em torno do bacalhau, traduzido nas inúmeras formas de o cozinhar e consumir.

O terceiro motivo – existências de sectores relacionados e de apoio – baseia-se no facto de que um território necessita ter sectores que se apoiem reciprocamente e se relacionem, estimulando a inovação ou efetuando ofertas integradas e complementares. Por exemplo, no turismo não é possível um território ser atrativo se possuir um excelente sector para alojamento mas não existir um sector de restauração condizente ou ofertas de entretenimento e ocupação de tempo livre para os turistas.

O quarto motivo – estratégia das empresas, estrutura e rivalidade existente entre elas – tem a ver com a forma como as empresas se comportam. Se, por exemplo, as empresas forem apáticas e estiverem habituadas a usufruir de mercados monopolistas com rendas elevadas, não terão um incentivo a inovar e a tornar-se competitivas. Se, pelo contrário, existirem níveis de rivalidade empresarial que fomentem a inovação e desenvolvimento de novas ofertas, o território dessas empresas tornar-se-á também ele mais atrativo.

Os quatro fatores são importantes. O sucesso num deles – por exemplo, a abundância de recursos naturais – não permite complacência nos restantes fatores. Cabe aos decisores públicos e privados equacionar a base da atratividade do território, e explorar o seu potencial e competitividade gerindo estes quatro fatores.

2016-01-27

Rotinas diárias

2016-01-23

A multinacional, o cluster, e o impacto dela

Há já alguns anos que a IKEA é objeto de estudo num vasto projeto prático que os estudantes de Gestão Estratégica da Licenciatura em Gestão da Universidade do Minho têm que realizar. Uma das partes do projeto obriga os estudantes a analisar o setor de mobiliário em Paços de Ferreira e Paredes. Subsidiariamente têm que equacionar os impactos da entrada da IKEA em Portugal, tanto na distribuição retalhista (normalmente a parte mais visível e popular da empresa em causa) como na produção de móveis no cluster de Paços de Ferreira e Paredes. Naturalmente, ao nível da licenciatura, apesar do manifesto interesse de algumas das reflexões dos estudantes, esta análise é mais de natureza especulativa do que propriamente baseada em dados e métodos científicos.


Primeira página de IKEA: arrumar não custa, Projecto de Gestão Estratégica, 2.ª edição, 2012.

Mais tarde, no âmbito de um projeto sobre dinâmica industrial, escrevi em conjunto com Joana Barbosa um artigo baseado na literatura sobre o tema que, com o título "Multinacionais e clusters", foi publicado em O Economista – Anuário da Economia Portuguesa 2013.

De forma breve, nesse artigo foi feito um apanhado de alguns contributos conceptuais sobre o impacto da entrada duma multinacional num cluster. E assim foi dado mais um pequeno passo para a compreensão de um fenómeno deveras interessante.


Capa de O Economista 2013, anuário da economia portuguesa.

Ainda assim, o estudo empírico estava por realizar, subsistindo múltiplas abordagens metodológicas para analisar empiricamente o tema. Há quase dois anos, em 2014, surgiu a oportunidade de dar um outro passo, agora no âmbito de um mestrado. Foi assim que Diana Teixeira Carvalho aproveitou a oportunidade e, com gosto, empenho e inteligência, realizou no âmbito do Mestrado em Economia Industrial e da Empresa a sua dissertação com o título Entrada de Multinacionais num Cluster e Efeitos na Estratégia das Empresas Instaladas.


Capa da dissertação.

Conto esta história agora não porque o tema se tenha esgotado - longe disso - mas sim porque a referida dissertação foi submetida esta semana, apresentando um estudo rico e original sobre o tema que quero destacar. Quero também destacar que o mundo da pesquisa e da procura de respostas para as questões de investigação é algo que pode ser demorado, exige paciência e trabalho. Mas quando os resultados surgem é também um mundo gratificante e que nos permite ir mais longe.