2016-05-04

Distribuição digital e modelos de negócio na indústria da música

Tema deveras atual, aquele que foi tratado por Filipe Corrêa de Nápoles Pinto Leite na sua dissertação intitulada Distribuição Digital e Modelos de Negócio na Indústria da Música que acaba de ser submetida no âmbito do Mestrado em Marketing e Estratégia da Universidade do Minho.



«Esta dissertação é dedicada ao tema da distribuição digital de música e o impacto que esta teve na indústria musical, sendo o seu problema de pesquisa compreender o que mudou na indústria musical a partir do momento em que a música passou a ser distribuída digitalmente. Para delimitar o problema e guiar a investigação foram propostos quatro objetivos que visam compreender o efeito que a digitalização da música teve: i) na rede de relações da rede de valor da indústria musical; ii) nos modelos de negócio dos artistas e das editoras, iii) nas relações entre artistas e consumidores; e iv) na indústria da música ao vivo. Para atingir esses objetivos optou-se por realizar uma pesquisa de natureza qualitativa sendo que os dados foram recolhidos através de entrevistas semiestruturadas. Foram realizadas doze entrevistas a treze pessoas ligadas à indústria musical. As entrevistadas foram gravadas em formato áudio e posteriormente transcritas, tendo sido depois os dados tratados através da técnica da análise de conteúdo. Foi possível concluir que a distribuição digital alterou de forma profunda a estrutura da indústria musical, tendo existido uma evidente perda de poder das editoras face ao poder dos outros atores que compõem a indústria. Também se concluiu que, tanto as editoras como os artistas diversificaram as suas funções em resposta ao decréscimo da venda de música em formato físico, o que foi possível não só devido à digitalização da música e dos respetivos canais de distribuição, mas também dos meios de produção de forma geral. As mudanças estudadas mostraram também que a relação entre o artista e consumidor se estreitou. No que diz respeito à música ao vivo, foi possível verificar que o mercado cresceu devido a vários fatores: a digitalização do mercado da música que facilitou o acesso dos músicos aos consumidores e dos consumidores à música; o surgimento de uma “cultura dos festivais” nos consumidores mais jovens; e o grande interesse de marcas patrocinadoras em associarem-se a este mercado da música.»

2016-05-03

Estádios

Estádio da Luz, Lisboa, Portugal

Estádio da Luz, Lisboa, Portugal

Estádio Nacional, Lisboa, Portugal

Estádio da Luz, Lisboa, Portugal

Estádio José de Alvalade, Lisboa, Portugal

Estádio Nacional, Lisboa, Portugal

Estádio do Restelo, Portugal

Estádio do Restelo, Portugal

Estádio Nacional, Lisboa, Portugal

2016-05-01

SoundCloud #001

2016-04-29

Uma manifesta necessidade de consolo

Tive o primeiro contacto com Stig Dagerman quando, no final da década de 1980, pela māo da Fenda, foi editado A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer, (1.ª edição, 1989; 2004, 5.ª edição), um dos títulos melhor conseguidos da literatura universal. Tratou-se duma oferta que o próprio Vasco Santos simpaticamente me fez num pacote carregado com autores como Lautréamont e Le Clézio e onde provavelmente constavam algumas fendas e o Pravda.

FENDA - Revista de Luxúria
FENDA - Revista de Luxúria.

Pravda
Pravda.

Era um tempo de culturas alternativas, revistas subversivas e fanzines apaixonados que nos faziam conviver com os extremos e ponderar impossibilidades. Certo ou errado, não sei, de Stig Degerman ficou-me a imagem de um escritor maldito e angustiado, talvez porque então no catálogo da editora e no tal pacote o associei a outras leituras da margem que não necessariamente marginais.

Por estes dias regressei a Stig Degerman para ler com gosto e maior distanciamento o Outono Alemão (Antígona, Lisboa, 1.ª edição, 1991; 2.ª edição, 1998), uma das poucas obras deste marcante autor dada à estampa pela Antígona, editora que, na linha da Fenda, reclama expressamente publicar somente autores que «mijam fora do penico».


Edição portuguesa, 1998.

Em Outono Alemão faz-se uma análise objetiva e impiedosa da sociedade alemã nos meses que se seguiram à capitulação de 1945, algo que se lê com redobrada curiosidade numa época em que a Alemanha é novamente a maior potência europeia. O autor sueco retrata aquilo a que W. G. Sebald tão apropriadamente chamou o "sofrimento dos culpados", ou seja, as dificuldades e os paradoxos duma sociedade e de um país que colocou a Europa às portas do inferno e que terá pago por isso.

Não se pense, contudo, que há aqui algum tipo de compaixão ou desculpa para com a Alemanha em ruínas. Antes pelo contrário, o retrato de Outono Alemão é feito pela mão duma escrita crua e despojada de sentimentos que verte em papel a realidade tal qual ela é, e que de tão objectiva e insensível pode talvez tornar-se o registo de um absurdo, num país e numa época ela própria rica em absurdos.

A qualidade da escrita e da observação está bem presente, o que merece um redobrado elogio se atendermos a que Stig Degerman publicou esta obra com apenas 23 anos de idade. É um pequeno livro que me foi cativando a atenção em crescendo à medida que a leitura avançava, até terminar com o capítulo intitulado Literatura e Sofrimento. Um capítulo que me chama ainda mais atenção e que leio com grande interesse, sabendo que o autor, também ele, na sua vida deve ter sofrido a bem sofrer como resultado de algumas tentativas de suicídio, a última das quais bem sucedida, em 1953, tinha ele 31 anos de idade. Ora, só de pensar como é possível ceifar-se uma vida tão jovem e, no caminho, desperdiçar-se tanto talento, isto é algo que inquieta e tenho sempre bem presente quando leio ou penso em almas como a de Degerman. Sem resposta, questionam-se os motivos. Talvez por causa da depressão como doença e da sua necessidade de consolo ter sido impossível de satisfazer.


Stig Dagerman.

A forma como se lê um livro com 59 anos e aquilo que dele se retira varia imenso com o tempo e com o contexto, sobretudo porque estamos perante um registo não ficcionado da realidade. Uma realidade que está sempre a pregar-nos partidas ou, como o próprio autor afirma no capítulo final, «a realidade tem de envelhecer para se tornar real» (p. 138).

Precisamente agora, em 2016, com os seus quase 60 anos de idade - se não de envelhecimento, pelo menos de suficiente distanciamento para se tornar real -, a leitura deste Outono Alemão suscita algumas questões, tão simples quanto difíceis de responder.

Como olhar hoje em dia para uma Alemanha que em poucas décadas sofreu tantas transformações e volta a ser a potência inquestionável que marca a evolução da Europa? O que registaria Stig Dagerman se voltasse a visitar o país? E que registo faria Degerman de Portugal se neste ano de 2016, também ele carregado de absurdos, tivesse a oportunidade de viajar pelo país e registar as observações da sociedade e do tempo que vivemos neste canto à beira mal plantado?

2016-04-27

2016-04-24

Incentivos à criação de empresas


O termo empreendedorismo está na moda. Uma das razões porque isso acontece reside no seu amplo significado. Na verdade, o termo empreendedorismo é utilizado com diferentes propósitos para significar coisas aparentemente tão distintas como, por exemplo, criar o próprio emprego ou criar algo através duma inovação.

Noutras circunstâncias o empreendedorismo refere-se a uma actividade – qualquer que ela seja – que possui determinadas características (por exemplo, o crescimento das vendas) e resultados (por exemplo, criar riqueza), ao lançamento de novos negócios ou à revitalização de empresas já existentes. Em todo o caso, o significado que talvez seja mais popular refere-se à criação de empresas.

Porque é que muitos indivíduos sentem necessidade de empreender? Há, grosso modo, dois grandes tipos de incentivos à actividade empreendedora. Um deles é de natureza económica e o outro é de natureza social e psicológica. Entre os incentivos de natureza económica encontramos factores como, por exemplo, a propensão para criar riqueza, criar o próprio emprego ou satisfazer uma necessidade de mercado. Os factores de ordem social e psicológica que incentivam os empreendedores resultam geralmente da sua vontade em serem autónomos, realizarem-se pessoalmente, associando a actividade empreendedora ao seu estilo de vida e, não raras vezes, desenvolverem actividades altruístas.

Quais destes factores são mais importantes? Todos eles são importantes e tudo leva a crer que os empreendedores melhor sucedidos são incentivados simultaneamente por factores económicos, sociais e psicológicos. Estes incentivos complementam-se e permitem criar a energia necessária para os empreendedores vencerem os desafios que se colocam a si próprios.

Os empreendedores são geralmente ambiciosos e procuram atingir os seus fins com método e determinação, pensam no longo prazo, questionam constantemente formas de pensar e agir, têm uma profunda orientação para o mercado, dão importância aos detalhes da implementação dos projectos, e querem melhorar continuamente. São, em síntese, espíritos inquietos.

Grande ilação: se algum dia decidir criar uma empresa, esteja atento e verifique se aquilo que está a criar o incentiva nas duas dimensões que aqui abordamos. Por um lado, têm que existir incentivos económicos. Eles são necessários mas podem não ser suficientes. É importante que sejam complementados com incentivos de natureza social e psicológica.