Dissertação de mestrado

At the Theatre, Edouard Vuillard

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Redes Sociais e Crescimento Empresarial
Pedro Miguel Pinto Ribeiro
2012

«Esta dissertação aborda o papel das redes sociais no crescimento das empresas. Uma rede social pode ser definida como um conjunto de nós ou atores (pessoas ou organizações) ligados por relações sociais ou laços de um tipo específico, onde podem ocorrer trocas sociais, mas também trocas de informação e de negócios. O crescimento das empresas é um fenómeno heterogéneo e multidimensional, daí muitas vezes ser difícil definir e medir esse crescimento. Ao estudar o crescimento, através das redes sociais, parte-se do pressuposto que as organizações estão imersas em redes de relações sociais que influenciam a sua ação económica, e que através das suas redes de relações pessoais, os empresários e as suas empresas ganham acesso a recursos críticos. Recorreu-se a dados quantitativos, recolhidos através de um inquérito por questionário submetido a 210 colaboradores (onde 150 respostas foram consideradas válidas), de uma empresa do sector das tecnologias de informação e comunicação, com índices de crescimento significativos nos últimos anos. A presente dissertação analisa o papel das redes sociais no crescimento das empresas, mais concretamente na obtenção de vantagem competitiva, no acesso a informação e recursos indispensáveis para que o crescimento ocorra, na identificação de novas oportunidades de negócio e na sua internacionalização. Conclui-se que, de uma forma geral, existe a consciência por parte dos inquiridos que as redes sociais são uma fonte de vantagem competitiva, e que desempenham um papel importante e facilitador no acesso a recursos e informação, que posteriormente permitem às empresas identificar novas oportunidades de negócio, viabilizarem a sua internacionalização, e consequentemente alcançarem o crescimento. Em termos empíricos, a investigação vem alertar para a necessidade das empresas pensarem as redes sociais de uma forma mais estruturada e como potencial fonte de vantagem competitiva, evidenciando o papel que estas redes de relações desempenham na capacidade competitiva e no potencial de crescimento das empresas.»

Dissertação de mestrado

Young lady in Red, Alvar Jansson

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Modelos de Negócio SaaS – Software de Gestão como Serviço
Jorge André Neiva Soares
2012

«Num mundo onde as tecnologias de informação têm bastante predominância nos processos das empresas, é natural que este tipo de tecnologia assuma uma responsabilidade acrescida nos resultados finais das empresas. Com os ciclos tecnológicos a ocorrerem em média a cada 15 anos, é fulcral que os fornecedores de software de gestão acompanhem e se adaptarem aos novos ciclos, adaptando não só o produto, mas também os modelos de negócio dos mesmos. Este estudo avalia as características a considerar na definição de um modelo de negócio para a distribuição de software de gestão sob a forma de serviços. Incide sobre os componentes gerais de um modelo de negócio e também nas características dos serviços de software de gestão. É utilizada uma metodologia de estudo predominantemente quantitativa e exploratória utilizando a técnica de inquérito por questionário que foi submetido a uma população de 4989 pequenas e médias empresas que se caracterizam por serem clientes de um dos fornecedores de software de gestão com maior cota de mercado em Portugal. Obtém-se assim uma amostra representada por 70 empresas que permitiram retirar conclusões que poderão servir de guia para os fornecedores de software de gestão que pretendam criar um modelo de negócio para venda de software de gestão como um serviço.»

Dissertação de mestrado

Landscape at the Jas de Bouffan, Paul Cezanne

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Comportamento Competitivo no Seio de Alianças Estratégicas Horizontais
Ana Lameira Peixoto
2012

«A cooperação empresarial é um tema bastante discutido e cada vez mais importante na vida das empresas. As alianças estratégicas revelam-se um modo de cooperação bastante eficaz. No entanto, mostram ser muito mais do que uma simples cooperação entre empresas. Por trás da cooperação obrigatoriamente existente na aliança podem existir estratégias que visam tornar uma empresa mais competitiva do que as empresas parceiras envolvidas na aliança. É sobre este aparente paradoxo envolvendo cooperação e rivalidade que se debruça a presente dissertação. Pretende-se analisar a forma como as empresas envolvidas em alianças estratégicas horizontais conseguem adaptar a sua estratégia conciliando o seu comportamento competitivo baseado na rivalidade com a necessidade de cooperação que obrigatoriamente tem que estar presente numa aliança estratégia. O estudo realizado junto de empresas do sector da construção civil e obras públicas permite identificar a importância da cooperação e a forma como as empresas recorrem à cooperação para vingar num mercado tão competitivo e complexo. A cooperação torna-se imprescindível para a sobrevivência das empresas, mas existem riscos implícitos, como a cultura, aspetos legais e políticos, entre outros, que influenciam fortemente a decisão de cooperar. São vários os fatores que afetam a gestão do comportamento competitivo no seio duma aliança estratégica. As várias características da aliança estratégica, como é o caso dos seus objetivos e clareza desses objectivos, a escolha do parceiro, nível de risco da aliança, quantidade de poder, relação entre empresas e as vantagens e desvantagens da aliança juntamente com a situação económica do país são os principais fatores que vão definir o comportamento competitivo adotado pela empresa no seio da aliança. É a conjugação destes fatores que favorece a cooperação ou a rivalidade entre empresas parceiras. No estudo deste tema, adoptamos uma metodologia qualitativa baseada em entrevistas semi-estruturadas. Foram realizadas um total de vinte entrevistas junto de dez empresas e procedeu-se à análise de dados tendo por base os objectivos anteriormente enunciados bem como um conjunto de seis proposições que efectuaram sobre o tema. Constatou-se que seis proposições encontraram suporte empírico nas empresas estudadas tendo-se concluído que existe sempre cooperação e rivalidade no seio das alianças estratégicas em que estão envolvidas as referidas empresas. Verificou-se, contudo, que a intensidade com que essa rivalidade e cooperação está presente varia em função dos fatores mencionados.»

Ecologia organizacional



Faz sentido olhar para as organizações com uma visão ecológica. Nesta perspectiva, um conjunto de organizações é visto como um ecossistema. Num ecossistema existem espécies que se adaptam ao ambiente em que vivem e conseguem evoluir, enquanto outras não possuem essa capacidade e se extinguem através de um processo de selecção natural.

Também no mundo empresarial, a volatilidade ambiental provoca a selecção natural. Neste contexto, a taxa de mortalidade empresarial cresce e as empresas que sobrevivem procuram minimizar as consequências da intempérie. Umas adaptam-se às circunstâncias do mercado, outras procuram posições de refúgio que as protejam, e outras procuram desenvolver novas estratégias. A selecção natural ocorre em todos os sectores e organizações ainda que essa intensidade varie com as circunstâncias ambientais, também elas distintas entre sectores e organizações.

Uma abordagem ecológica das organizações tem a grande virtude de acentuar a importância do ambiente no percurso, posição e desempenho das organizações. Pode argumentar-se que a selecção natural, ao provocar a mortalidade das espécies mais fracas e menos adaptadas ao seu ambiente, tem o dom de libertar recursos para as espécies mais resistentes. Estas tornam-se mais fortes e adquirem capacidades acrescidas para projectos mais ambiciosos.

Por exemplo, o ensino superior português carece duma abordagem ecológica que facilite a extinção das espécies menos capazes, o fortalecimento de algumas instituições ou até mesmo o surgimento de espécies mais robustas. Só com uma rede de ensino com actores mais fortes e ligações melhor articuladas é possível competir internacionalmente. A dimensão e os recursos do país não permitem a afirmação internacional de muitas instituições, mas é importante que surjam algumas espécies com a projecção internacional necessária para provocarem um efeito de arrastamento nas demais instituições da rede. Daí que a selecção natural pode ser benéfica para o sector como um todo.

Os processos de selecção natural podem ser socialmente dolorosos com consequências negativas no curto prazo. Mas, por outro lado, a selecção natural pode promover os ajustamentos necessários e facilitar o desenvolvimento sustentável das organizações no longo prazo. Ou seja, a selecção natural pode criar condições mais favoráveis ao desempenho e prosperidade.

Numa paisagem em que as dificuldades são recorrentes devemos ter a capacidade de interpretar não só ameaças mas também sinais positivos e oportunidades. Neste sentido, um ambiente favorável deve criar condições para a selecção natural, permitindo a reestruturação de vários sectores. Esta selecção implica não só o encerramento de várias organizações mas também favorece integrações, fusões e outros arranjos interorganizacionais em detrimento do prolongamento artificial da sobrevivência.