2007-01-19

Covilhã


Há algo de fascinante na Covilhã. Nunca permaneci nela mais de três ou quatro dias consecutivos e, na verdade, numa primeira impressão não parece que exista algo nela que suscite qualquer tipo de fascínio. Por isso, questiono o que me atrai naquela cidade. Vá-se lá saber o que será!


Seria fácil identificar essa causa no facto de se tratar duma cidade de montanha com a Serra da Estrela ali mesmo ao lado. Para um forasteiro será esse o principal atractivo da cidade. No caso julgo que não é essa a razão. O que mais atrai na Covilhã são os contornos duma paisagem com um misto de imaginário e realidade que se me fixou na memória na primeira vez que lá fui. Essa fotografia opaca foi captada à entrada da cidade num dia de humidade e nevoeiro. É a imagem de uma paisagem com granito e grandes chaminés, típicas de paisagens industriais de há dois séculos. Apesar de hoje ter estado um dia solarengo, o cenário faz com que a Covilhã seja nesse imaginário, de entre as cidades portuguesas, a mais "dickensiana" delas todas. É, por isso, uma paisagem para ser acompanhada por ritmos industriais.

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