2007-07-23

Este mundo e o outro

Escrevo para partilhar uma descoberta. A de "Todo-o-Mundo", da autoria de Philip Roth, saído recentemente na Dom Quixote (Lisboa, 2007; no original "Everyman", de 2006). Tinha lido bastantes referências elogiosas ao autor, até que me confrontei com este livro num supermercado. Uma capa fantástica (produzida pelo atelier de Henrique Cayatte mas que na essência replica a capa da edição original), letra grandinha quanto baste, e menos de 200 páginas para ler. Enfim, um condimento irrecusável e a oportunidade de descobrir um escritor desconhecido.

O que vos digo é que este é um livro que se lê de rajada. E ficamos tensos. E à medida que se avança percebe-se porque estamos perante uma capa negra. De luto. Só ficou a faltar o coveiro, personagem que também aparece no enredo. O romance inicia-se com o funeral do protagonista e daí para a frente conta-nos todas as mazelas deste homem e da forma como envelheceu e se confrontou com a degradação da sua saúde. Trata de operações, carótidas, hérnias, cancros, problemas cardíacos, AVCs, muitos AVCs, e a forma como todos nós somos vulneráveis ao envelhecimento e problemas de saúde ao ponto de nos tornarmos uns farrapos. E, claro, depois batemos a bota. Ora, quando a leitura deste livro coincide com uma daquelas mazelas que nos apoquentam durante meses, então dá que pensar. Garanto-vos, vale a pena ler. E a prova disso é que vou procurar mais obras de Philip Roth.

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