2007-12-21

American show de ministro

Quando se escreve assim, eu nada tenho a acrescentar senão unir a minha voz em tom de concordância com as palavras de Jaime Rocha Gomes, meu colega da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, no blogue Prálem d'Azurém: «Veio no Expresso a notícia sobre os gastos do Estado Português com as Universidades Americanas: 14 milhões de euros por ano, mais do que muitas Universidades portuguesas gastam por ano, pelos vistos. Ainda or cima os Americanos criticam a relação das universidades com a indústria, como quem já sabe de antemão do fracasso desta iniciativa e já se está a descartar. Mas não sem antes usufruir do que este pequeno país lhes vai pagar. Antes comprávamos aviões em segunda mão que não serviam para nada (lembram-se dos A8?) e agora? Compramos o que há de melhor nos EUA: um bocado do MIT e do Carnegie. É essa a mensagem que passa para a opinião pública? Talvez. Como a investigação é algo de intangível para a maior parte da população, até devem dar o benefício da dúvida e, uma vez que não há forma de verificar os resultados (ao menos um avião se não presta não levanta vôo), ninguém saberá ao certo se o dinheiro foi desperdiçado ou não. Podem dizer que se pode avaliar pelo nº de "papers" publicados. Mas sabemos que esse é precisamente um dos aspectos criticados pelo chefe do MIT, que as Universidades só se preocupam com "papers" sem olhar à investigação aplicada e à ligação à indústria. Ao menos investir nas Universidades Portuguesas seria uma forma de formar mais gente, que é o que o país precisa, mesmo que a investigação não fosse toda de primeira classe. Agora o Ministro vai fazer o mesmo com a Medicina. Pagar a Universidades para mais uma vez nos darem umas aulas sobre a Medicina. Quem pára este Ministro iluminado? O Sócrates? Não, esse está demasiado ocupado. Os Reitores? Esses só olham para o umbigo. Infelizmente só o próprio pode parar esta loucura, o que não é previsível, a julgar pelo que nos foi dado a conhecer sobre esta personagem arrogante através de entrevistas que tivemos ocasião de ver ou ouvir ao longo dos últimos meses.»

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