2007-12-03

Da Junqueira e de outras praias

Sobre o tempo que passa lá para os lados da Junqueira e de outras praias:

«[...] Se alguns foram meus conhecidos dos bancos e bares das faculdades, com todos esses fazedores de vanguardas progressistas e reaccionárias, não me apetece conversar nem sequer saudar, até porque não estou minimamente interessado em aceder ao respectivo sindicato das citações mútuas e dos subsídios em circuito fechado, nomeadamente nos júris clandestinos das selecções avaliadoras.

Não faltam sequer os ilustres angariadores de patrocínios para seminários, "workshops" e conferências que, de uísque em punho, vão engenheirando a respectiva caça ao favor, trocando telemóveis da fauna bancária e empresarial que ainda acredita que assim se faz o marketing e a política de imagem. E tal como no anterior sindicato das citações mútuas são os ditos que emitem adjectivações sobre peritos que podem mobilizar para a procissão, sobretudo os que não requerem "cachet", mas apenas prendinhas da loja dos trezentos. Por mim, prefiro gerir meus pareceres sem cedência a esse grupo de amigos que cordialmente se odeiam, apoiando os que têm mérito, apenas em nome da justiça.

Por esta e por outras é que me apetece referir um "mail" que acabei de receber de mais um mal avaliado pela clandestinidade dos critérios do estadão: É bem feito para mim que, pela primeira vez, troquei o punho ao alto pela mão estendida! Esta coisa de ser vertebrado atrapalha muito num mundo de esqueletos no armário e consciências reduzidas a escória. Queria estar revoltado, mas estou apenas triste. É bem feito para mim que nunca torci e agora quebrei! ...É bem feito para mim que já me via no cume de uma meritocracia! "Volta lá para baixo e carrega o calhau montanha acima, Sísifo, que essa é a tua sina"!!

De facto, eu bem tinha referido ao dito que a única via para a oleosidade estava em duas ou três cartas de recomendação da partidocracia, do mediático e da consultadoria, desses a quem a engenharia carreirística dos seleccionadores supõe que, um dia, precisarão de meter cunha. Porque o mesmo "item" criterioso sempre varia conforme as circunstâncias, ou os ódios de estimação, onde a vingança se costuma servir, quando não é previamente levantado o critério de suspeição.[...] »

"Esta coisa de ser vertebrado atrapalha muito num mundo de esqueletos no armário e consciências reduzidas a escória...", Sobre o tempo que passa, 30 de Novembro de 2007.

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