2007-12-20

Distribuição de Dividendos
Por Vasco Eiriz

Graxa
Engraxadores de sapatos de todo o país reuniram-se nas Caldas da Rainha no passado fim-de-semana. Não nos chegaram notícias sobre os resultados do encontro ou da mobilização havida. Mas, ao que alguém disse, o ofício está em extinção. Coisa em que aqui não se acredita. Afinal de contas vêem-se muitos engraxadores por aí à solta. É certo que a graxa que usam é de uma outra substância e o lustro que geram é fusco. Apagado mesmo, apesar de julgarem que brilham. Mais, não são do estilo de quem vai às Caldas ao encontro da classe. Acreditem; engraxadores destes há muitos, lá isso há.

Ministros com gripe
Algo de errado se passa com a comunicação social. Algo que reflecte o estilo reinante na governação e as fragilidades da própria comunicação social. No momento de meros anúncios de política assiste-se à fanfarronice habitual. Foi assim, por exemplo, em 2006 quando, no momento em que a gripe das aves nos preocupava a todos, três ministros participaram numa cerimónia para assinalar o projecto de investimento duma fábrica de vacinas para a gripe. Aqueles com melhor memória lembrar-se-ão que o investimento foi apresentado como se se tratasse duma salvação para a gripe das aves que vinha a caminho. Ficaríamos assim melhor protegidos, tanto mais que – quiseram fazer-nos crer – havia outros países que – malandros – iam ficar com as vacinas todas e não nos davam nada. Passaram, entretanto, dois anos e ficou a saber-se há dias que o investimento com conclusão prevista para 2008 foi abandonado! A empresa em questão – Medinfar – sai-se mal, mas também a comunicação social, ao não dar o mesmo destaque a esta notícia que deu aquando da fanfarronice do Governo, mostra o quanto dependente está dele. E, claro, aos ministros em causa recomenda-se maior descrição enquanto as políticas que perseguem não surtirem efeito. E no caso em apreço sugere-se algum retratamento por andarem a vender a banha da cobra.

Eficácia, muita eficácia
Esta semana ficou a saber-se que no caso duma barca dar à costa com imigrantes clandestinos, o Estado português necessita de dois meses para os enviar de retorno ao seu país de origem. Precisa ainda que façam mais de 500 km, quase tanto como o cumprimento do país, para lhes dar guarida. Tchiu, não digam nada; se Sócrates e Zorrinho sabem mandam fazer um plano tecnológico com simplex incluído e 535 medidas de desburocratização (pelo menos). E mesmo antes de haver resultados convocam paletes de conferências de imprensa para anunciar a medida.

Testar o produto
Quando uma empresa farmacêutica quer lançar um novo medicamente convida pacientes a testá-lo, paga-lhes uns cobres e convida-os a assinar um termo de responsabilidade, não vá a coisa correr mal como parece ter acontecido recentemente no Hospital de São João no Porto. No metro de Lisboa, a coisa é mais expedita. Na inauguração de linhas e túneis de segurança duvidosa, o metro paga o bilhete. É caso para dizer que só vai para debaixo da terra quem quer. Literalmente, em todos os sentidos.

Distribuição de Dividendos, uma coluna com estatutos desblindados que não necessita de autorização da assembleia geral para distribuir dividendos e garante OPAs céleres.

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