2007-12-27

Distribuição de Dividendos
Por Vasco Eiriz

Abandonar o mercado
Ficamos preocupados sempre que uma fábrica encerra e vão dezenas de pessoas para o desemprego. Mas, há outras formas de saída que nos deveriam preocupar de igual forma e passam quase despercebidas. Existem dois bons exemplos actuais desse processo de saída de empresas de Portugal, curiosamente no mesmo sector. Refiro-me à saída da francesa Carrefour e da alemã Plus. Nos dois casos através da alienação aos maiores concorrentes do mercado: a operação do Carrefour foi comprada pela Sonae a da Plus pela Jerónimo Martins (neste caso a Jerónimo Martins comprou no mesmo pacote a operação polaca do Plus), o que quer dizer que passaremos a ver mais Continente, Modelo, Pingo Doce ou Feira Nova e desaparecerão duas importantes empresas do mercado. Saídas destas não deverão também preocupar-nos, mesmo que a curto prazo impliquem menos despedimentos? Porque é que estas empresas abandonam o mercado português?

Ambrósio, apetece-me algo
Adoro o Google. Mal este blogue faz umas referências a brocas e muros, aparece de imediato aqui em cima ou ao lado uma empresa brasileira a oferecer "cursos de empilhadeiras". Se escrevo sobre relva, então a surgem "relvados sintéticos e pistas de atletismo profissionais". Se, por hipótese, mencionar "vista estreita" então a oferta parece irrecusável: "Miopia astigmatismo hipermetropia qualidade não necessita de ser cara". Já percebi, sempre que precisar de algo, basta-me escrever umas coisas sobre isso. Qual Ambrósio, ao Google não lhe falta sentido de oportunidade: "Tomei a liberdade de pensar nisso, senhora".

O posto da GNR
Eis um bom exemplo da forma como se planeia a afectação de recursos no sector público: «O posto da GNR de Lanheses, em Viana do Castelo, estreou casa nova há precisamente um ano, mas como prenda de aniversário recebeu a notícia de que é um dos 53, em Portugal, que poderá encerrar portas.» Vai encerrar? Não, nada disso, não dramatizemos: «a proposta de reorganização do dispositivo territorial da GNR aponta para o fecho de 53 postos, mas o Governo ressalva, no entanto, que aquela proposta é apenas “uma referência e não um guião fechado”». Se, portanto, alguém não quer que o Governo "feche o guião" deve então – conclui-se – fazer algum teatro com o guião. Sem dramatismos, pois «o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, José Magalhães, refere que ainda haverá factores relevantes como a negociação com as autarquias». Oh José Magalhães, já sentia a tua falta!

Distribuição de Dividendos, uma coluna com estatutos desblindados que não necessita de autorização da assembleia geral para distribuir dividendos e garante OPAs céleres.
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