2008-04-02

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Fechar portas
Por Natália Barbosa

À semelhança do que acontece com a vida humana, as empresas quando nascem não são para sempre. O horizonte de tempo em que elas estão activas depende de um número substancial de factores. Parece, no entanto, natural que regularmente muitos empresários considerem a hipótese de “fechar portas” e encerrar a actividade que tinham vindo a desenvolver. Por isso, estatísticas acerca do número de empresas que em cada ano fecham portas não devem ser encaradas com excessivo alarmismo.

Analisados isoladamente os números acerca de falências e encerramento de empresas carregam em si marcas de insucesso, de desemprego e, em alguns sectores ou locais, de efectiva crise económica e social. Visto desta perspectiva, nada parece ser capaz de atenuar os efeitos negativos da decisão de fechar portas. E esta é, na verdade, a perspectiva mais óbvia e fácil de adoptar.

Esta perspectiva pode, no entanto, ser alterada se analisarmos conjuntamente o número de falências e o número de novas empresas, o número de desempregados gerados pelas falências e o número de novos empregos criados e, mais importante ainda, o tipo e características das empresas que encerram e o tipo e características das empresas que são criadas. Na verdade, o encerramento de empresas pode ser um dos lados visíveis de um processo de reorganização industrial e de alteração do tipo e características das empresas que operam nos vários sectores, em que empresas menos eficientes são substituídas por empresas mais eficientes. Esta substituição pode permitir assim um aumento de eficiência na produção de bens e serviços, o qual trará dividendos positivos no futuro e, de uma forma geral, para todos.

Claro está, que esse processo, a existir, não afecta todas as pessoas, regiões ou sectores de actividade de igual forma. Em particular, pode ocorrer que um conjunto significativo de trabalhadores enfrente dificuldades em ajustar as suas qualificações e competências aos requisitos dos novos empregos. Mas este é que é o problema, ao qual deve ser dada especial atenção. O encerramento de empresas, só por si, não tem que ser encarado de forma negativa.

Natália Barbosa é Professora Associada no Departamento de Economia da Universidade do Minho. É Ph.D. in Economics pela The University of Manchester, Reino Unido. As suas áreas de interesse são dinâmica empresarial e investimento directo estrangeiro. Para além de artigos de divulgação que versam estes tópicos, tem trabalhos publicados em revistas científicas internacionais.

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