2008-04-23

Uma leitura

Uma pequena apreciação baseada em quatro Ps da revista LER, relançada hoje no mercado. Em termos de promoção, a existência de um blogue da revista com actualizações diárias contendo "notícias, rumores, invenções e impropérios" do sector parece ser uma solução eficaz. Mais eficaz ainda quando o lançamento é suportado por um ecossistema de blogues (um número elevado dos colaboradores da LER alimenta vários blogues, populares e com qualidade). Neste caso, gera-se um fenómeno de rede com efeitos bem superiores ao da opção de colocar toda esta gente a alimentar o mesmo blogue (solução adoptada, por exemplo, pela extinta revista Atlântico). Em termos de distribuição, só no quarto ponto de venda, depois de duas bombas de gasolina e um quiosque/livraria, é que encontrei a revista (note-se que esta experiência não decorreu na Serra da Cabreira, mas sim em zonas urbanas de uma das maiores cidades portuguesas). O problema da distribuição é, enfim, uma das velhas pechas do mercado português que se repete e coloca em dúvida o proclamado projecto do editor em estender a distribuição a canais diferentes do das livrarias. Quanto ao preço, outro disparate: pedir cinco euros por uma revista destas é excessivo. Juntemos a este excesso, os problemas da distribuição a que aludi, e talvez aí se encontre uma das principais explicações do insucesso de muitos projectos. Isto é, quais são os clientes que estão disponíveis para se esforçar mensalmente num processo de compra que envolve uma procura, por vezes infrutifera, em vários pontos de venda para adquirir um produto que de "premium" só tem o preço? Finalmente, o produto, o quarto P. Descontando a capa com a casaca do Lobo Antunes que me causou alguns calores, a primeira impressão, baseada sobretudo em aspectos gráficos, é bem positiva. Falta o principal - a própria leitura -, embora o projecto de boas intenções enunciado no estatuto editorial e no próprio editorial suscite um leve sorriso.

P.S.: para ler gratuitamente artigos "premium" sobre livros basta extrair a Rede2020 e ler, por exemplo, as recensões de João de Mancelos. Imperdíveis.

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