2008-05-13

Connectis

O último sobrevivente
Por Sílvio Brito

Cada vez mais assistimos a falências de empresas, deslocalizações momentâneas, fuga de cérebros, aumento do desemprego, decorrentes de uma pouco concorrencial adaptação das empresas à elevada complexidade dos mercados mundiais de onde, apenas uma pequena parcela sobressai constituída pelas empresas cuja cadeira de valor mantém atractivos os seus produtos e serviços, e que aplicam os seus investimentos em conhecimento e capitais numa inovação sustentada.

Por conseguinte, uma profissão do futuro será a do empreendedor sobrevivente, este será o último garante, o bastião do equilíbrio e da defesa da economia, a mão invisível que destruirá aquilo que é mau e improdutivo, ou seja, clarificar e dinamizar competências nas pessoas, no intuito de poderem conseguir sustentar-se profissionalmente, e reestruturar o seu habitat no mercado, transformando as empresas improdutivas em novos pólos atractivos de negócio.

No fundo, todos somos sobreviventes e potenciais empreendedores, não querendo dizer que será imperativo todos virem a ser empresários, mas sim serem aproveitados como intra – empresários nas organizações. Quais serão as características do empreendedor sobrevivente? Salvo melhor, podemos apontar as seguintes: apoiar a sustentabilidade dos investimentos em inovação; apostar nas capacidades e nas competências, suas e dos outros; não se envergonhar de ser um sobrevivente, principalmente se estiver desempregado ou não tiverem interesse na sua pessoa; reforçar a auto – estima e o sentimento de confiança; não ficar desanimado perante obstáculos difíceis e circunstâncias adversas ou de pessoas que apenas gozam com a vida dos outros; acreditar em si mesmo e de que é capaz de enfrentar e ultrapassar crises; ser optimista; mobilizar-se e ser capaz de inventar projectos; focalizar-se no essencial, naquilo que é mais importante; acreditar que é um recurso real que garante profissionalismo e dedicação.

As empresas que apostam na delegação, na autonomia de pessoas para criar, e de grupos inovadores de lançamento e desenvolvimento de negócios, poderão diferenciar os seus produtos/serviços e afastar a concorrência. Capacidade de inovação, cooperação e resiliência, serão competências a defender na empresa para criar um mercado e uma sociedade mais justos, e podermos afirmarmo-nos como uma sociedade diversificada, e multicriativa.

Sílvio Brito é licenciado em Gestão dos Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho pelo ISLA, Mestre em Gestão, na área do Comportamento Organizacional, pela Universidade Lusíada, e Doutor em Psicologia Evolutiva e da Educação, pela Universidad de Extremadura, Espanha.

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