2008-05-20

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Small is beautiful
Por José Figueiredo

O Professor Ernest Friedrich Schumacher editou em 1973 um livro intitulado Small is beautiful. Livro que veio a influenciar muito o pensamento económico desde então.

Não queremos analisar o livro de Schumacher, mas antes tentar avaliar a ideia subjacente ao facto de que nem sempre o que é grande poderá servir de exemplo. A Finlândia, a Irlanda, a Suíça, a Noruega, Singapura, o Qatar ou a Nova Zelândia são países de pequena dimensão geográfica e com populações exíguas. Portugal também. Mas, será Portugal um exemplo? Pelo menos um bom exemplo não será com toda a certeza, ao contrário dos outros países citados.

Escrito isto, porquê que será que nós portugueses achamos sempre que estamos mal por sermos um país pequeno ou com uma população diminuta? A Espanha está bem melhor porque tem quatro vezes a nossa população, é o pensamento comum em Portugal.

Peguemos no caso da Noruega, que é um país muito frio, com uma parte significativa do seu território inóspito e com uma população inferior a cinco milhões de habitantes. A Noruega é um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo e tem por isso uma das maiores riquezas do mundo per capita. Mas, a Noruega não produz só petróleo. Vejamos alguns exemplos de empresas norueguesas bem sucedidas: 1) a Norsk Hydro é uma das maiores empresas do mundo a actuar no sector dos alumínios; 2) a Royal Caribbean é uma das maiores empresas de cruzeiros do mundo; 3) a Aker Solutions é uma das mais relevantes empresas do mundo no domínio dos serviços de engenharia.

Se começarmos a pensar em algumas "global companies", verificamos que muitas delas são originárias de pequenos países, tais como: a Nestlé e a ABB, que são Suíças; o ING Bank e a Aegon Insurance, que são Holandesas; a Ericsson e a Scania são Suecas; a Red Bull é Austríaca; e a Nokia é Finlandesa.

Portugal tem a maior parte do seu território habitável e tem simultaneamente uma das maiores áreas marítimas do mundo face ao seu território. Portugal não tem divisões étnicas, religiosas ou políticas que causem evidentes fricções. Portugal tem um regime democrático consensual.

O que falta a Portugal, então? A dimensão geográfica e populacional não é um ponto fraco. A localização geopolítica não é um ponto fraco (está entre os dois maiores blocos económicos do mundo).

Será que Portugal quer ser a excepção à regra de que Small is beautiful?

José Figueiredo é licenciado em Gestão de Empresas pelo ISCTE e pós-graduado em Marketing pela Universidade Católica Portuguesa. Possui vasta experiência profissional em empresas como a Siemens, Mundial Confiança, Knorr Portuguesa, e Rural Seguros. Foi director de formação de executivos no Instituto Superior de Gestão. Actualmente é docente do Instituto Politécnico de Santarém, consultor e doutorando em Ciências Empresariais na Universidade do Minho.

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