2008-09-30

Afinal as rendas em Lisboa estão baratas

A intervenção proferida por Rui Rio, Presidente da Câmara Municipal do Porto, nas últimas Jornadas Luso-Espanhola de Gestão, realizadas na Faculdade de Economia do Porto, ficou-me na memória porque tomei aí conhecimento que o maior proprietário de imóveis na segunda maior cidade do país é ... a própria câmara. Pensava eu que, apesar desta situação aberrante no Porto, os negócios envolvendo câmaras municipais e habitação não fosse um problema grave e generalizado. Enganei-me; capital é mesmo capital: «A Câmara Municipal de Lisboa (CML) atribuiu mais de 3 mil casas por cunha, dadas à autarquia como contrapartida de benefícios atribuídos a cooperativas de habitação. A notícia, avançada este sábado pelo semanário Expresso, indica que o esquema existe há mais de 30 anos, durante os quais a CML atribuiu 3.200 casas, entre moradias, palácios, lojas e apartamentos. O jornal revela ainda que "tem sido o vereador da Habitação, ou o seus serviços – quando não é o próprio presidente da Câmara - a conceder aquelas habitações de forma directa" a amigos, artistas, jornalistas, familiares, entre outros. A média das rendas é de 35,48 euros, mas desconhece-se a percentagem das que são pagas, adianta ainda o Expresso, acrescentando que estas casas fazem parte do chamado Património Disperso. Um estudo da Universidade Lusófona, divulgado pelo semanário, refere que "a CML não sabia, nem sabe, do que é dona".» (Correio da Manhã, 27 de Setembro de 2008). Por favor, se alguém souber de palácios em Lisboa para alugar a 35,48 euros, diga-me.

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