2008-09-09

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O financiamento das universidades
Por Ana Paula Faria

Um aspecto que sobressai quando se visita uma universidade dos Estados Unidos é a divulgação pública dos filantrópicos e as respectivas quantias que doaram à universidade em causa. As listagens são longas e incluem quer pessoas a título individual quer empresas. Em relação a estas últimas, não falta nenhuma das grandes empresas conhecidas mundialmente.

A comparação entre os E.U.A. e a Europa no que respeita ao financiamento do ensino superior mostra duas realidades muito distintas. De acordo com dados recentes da OCDE, os E.U.A. gastam 2,9% do PIB em financiamento ao ensino superior enquanto que a média da União Europeia dos 19 (EU 19) se situa nos 1,3%. Destes valores, a parte do financiamento público é semelhante, 1% nos E.U.A. e 1,1% na EU, sendo a grande diferença no contributo do financiamento privado: nos E.U.A. 1,9% do financiamento ao ensino superior é de origem privada e na Europa este valor é igual a 0,2% (Portugal gasta 1% do PIB em educação, dos quais 0,9 são de fonte pública e 0,1 de fontes privadas).

A estagnação do financiamento público às universidades e a forte concorrência das universidades americanas na captação dos melhores alunos e professores estão a induzir as melhores universidades europeias a captarem activamente fundos privados de forma a poderem manter níveis de excelência. A Universidade de Oxford conseguiu, até ao momento, atrair donativos privados na ordem dos 670 milhões de euros, sendo o seu objectivo, pelo menos, duplicar este valor. Mas este é apenas um pálido valor quando comparado com os donativos privados que as Universidades de Harvard ou Yale recebem, 23 mil milhões de euros e 15 mil milhões de euros, respectivamente.

A forte ligação entre o sector privado e as universidades americanas vem já dos finais do século 19 aquando do estabelecimento destas últimas e tem sido um motor de desenvolvimento do conhecimento e de inovação. Na Europa vigora ainda uma atitude de desconfiança por parte das instituições de ensino superior relativamente à indústria, onde Portugal não é excepção. Porém, a internacionalização do ensino superior que se verifica actualmente faz aumentar a intensidade da concorrência entre as instituições de ensino superior e, tal como acontece noutros mercados, os mais empreendedores e inovadores conseguem fortes vantagens competitivas. Neste aspecto, o modelo americano já deu provas de robustez. Falta saber quem vão ser os ganhadores europeus.

Ana Paula Faria é professora da Universidade do Minho. Possui o PhD em economia pela University of Nottinghan (Reino Unido) e as suas áreas de interesse académico incluem temas como a inovação e mudança tecnológica, produtividade e eficiência.

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