2008-10-08

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Capital social
Por Vanda Lima

Todos temos consciência que as relações que estabelecemos com os outros são importantes para nós, essencialmente porque facilitam o acesso a informação. Da constatação deste facto, surgiu o conceito de capital social que se traduz, dito de um modo simples, no valor implícito existente nas relações.

O aparecimento do conceito está associado à Sociologia, especificamente, a estudos sobre a comunidade nos quais era usado para descrever as relações entre os indivíduos no interior da comunidade mas, rapidamente, foi adoptado pela ciência económica para explicação do crescimento e desenvolvimento económico.

De acordo com Banco Mundial, o termo foi explicitamente usado, pela primeira vez, pelo sociólogo Jane Jacobs, em 1961, no seu trabalho “The Death and Life of Great Americam Cities” e, posteriormente, por outros dois sociólogos, Pierre Bourdieu e James Coleman. Todavia, de um modo implícito, já aparecia na literatura económica na primeira metade do século XVIII, especificamente, na formulação da teoria dos jogos por David Hume, onde a cooperação entre os jogadores era entendida como um elemento que proporcionava benefícios comuns superiores.

Robert Putnam, um dos principais autores neste domínio, definiu, no seu trabalho “Making Democracy: civic traditions in modern Italy”, o capital social como um conjunto de elementos da organização social, tais como, normas, confiança, reciprocidade e redes, que facilitam as acções coordenadas. O capital social é apresentado por este autor como um atributo das grandes comunidades e, de um modo mais alargado, das nações. Deste modo, o capital social engloba, por um lado, elementos que estão relacionados com a estrutura de relações entre indivíduos e organizações (e.g. redes) e, por outro lado, elementos inerentes ao que os indivíduos sentem (e.g. normas comportamentais partilhadas).

Alguns dos indicadores mais usados para medir a intensidade do capital social são o número de associações locais existentes numa comunidade; o volume de donativos; a frequência de leitura de periódicos; a proporção de pessoas em quem se confia ou a frequência de socialização informal (e.g. comer uma refeição em casa dum vizinho).

Em termos gerais, o conceito de capital social está estritamente relacionado com os recursos existentes dentro de uma comunidade como consequência de redes de suporte mútuo, reciprocidade e confiança e a sua importância reside no facto de ser apontado por diversos estudos com um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento económico das nações.

Vanda Lima é professora da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras. Licenciada em Economia, Mestre em Gestão e Doutoranda em Ciências Empresariais na Universidade do Minho.

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