2008-11-25

O relógio do complexo pedagógico

Durante semanas, meses mesmo, o relógio do complexo pedagógico III do campus de Gualtar da Universidade do Minho andou atrasado. O atraso nunca foi superior a 10 minutos, mas, rigorosamente, passava sempre dos cinco minutos. Pode afirmar-se sem grande margem de erro que isto provocou efeitos indesejáveis na gestão estratégica, a disciplina que lecciono. Estranhamente, passadas semanas, o relógio pura e simplesmente parou. Exactamente às 10:20 horas. Medida, aliás, positiva se atendermos a que os efeitos de um relógio parado são provavelmente menos negativos do que os de um relógio atrasado. E não é que no exacto dia em que os novos estatutos da Universidade do Minho foram homologados, o relógio voltou ter os ponteiros no sítio certo, alinhados com Greenwich?! Será que o atraso se deveu ao processo estatutário, também ele demasiado demorado e cerimonioso que consumiu exactamente um ano das nossas energias? Terá a paragem do relógio alguma relação com os longos meses que demorou a homologação? Haverá na relação de causalidade entre o funcionamento do relógio e a reforma estatutária, algum motivo de júbilo sobre os efeitos da reforma no ritmo do tempo? Poderia pensar-se que, agora que a universidade se voltou a instituir e o relógio arrancou na hora certa, estaríamos perante um sinal de vitalidade organizacional. Puro engano: dias depois o relógio voltou ao ritmo do passado, atrasado como sempre.

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