2009-01-28

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Repensamentos
Por Sílvio Brito

Segundo os tramites da Economia Politica relativos ao conceito de riqueza, apontam que esta não servindo para consumo imediato é colocada em reserva para ser consumida mais tarde, e sendo o capitalismo um regime económico caracterizado pela produção em massa e pela propriedade individual dos capitais poderíamos pensar que o Paraíso se estabeleceria, dado pois teríamos produtos em escala e daí mais baratos, e enfim acabaríamos com a pobreza com trabalho e consumo intensivos.

Na certeza porém, face ao desabar deste ultimo regime, também o conceito de riqueza está posto em causa – não deveria o mesmo ser produzido e distribuído de outro modo? Somos de crer que o potencial pensante de cada pessoa seja o ponto de partida de suprir esta carência que coloca em causa a Economia, na forma em que a entendemos.

Assim sendo, nunca foi tão premente solicitar a responsabilidade de cada cidadão a dar ideias e materializá-las. Mas o individual não seria a continuidade do regime citado? A resposta, é obviamente não, e porquê? Porque cada ideia necessita de se juntar com outra, gerando uma plêiade de pequenos grupos, onde os membros são poucos, mais próximos, mais personalizados, mais activos e comunicativos entre si, gerando sinergias que na produção em massa não podem existir dado que o individuo nesta, seja operário ou gestor, é impessoal. Simples, deve ser o desenho organizacional desses grupos, onde numa estrutura agilizada chegarão mais rápido ao consumidor e mais atractivos, onde empresa e consumidor interagem na escolha dos produtos/serviços feito à medida não só das suas necessidades mas igualmente das disponibilidades. Isto permitirá a redução das despesas e auferir de uma maior satisfação nos colaboradores e consumidores, gerando um maior impacto na sociedade. No entanto, talvez não resulte em mercados restritos, com populações distantes e diminuídas, ou em regimes e estruturas empresariais descrentes da Filosofia e do Conhecimento, mas porque não tentar, ou não se falasse de Inovação? E que tal inovarmos nós mesmos a nossas atitudes e comportamentos?

Sílvio Brito é licenciado em Gestão dos Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho pelo ISLA, Mestre em Gestão, na área do Comportamento Organizacional, pela Universidade Lusíada, e Doutor em Psicologia Evolutiva e da Educação, pela Universidad de Extremadura, Espanha.

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