2009-02-10

Conversa fundacional

- Estarão os colegas disponíveis para desencadear um processo de reforma estatutária no início da nova legislatura, quando a questão se voltar a colocar em termos governamentais (algures no final de 2009, ou mais provavelmente no inicío de 2010)? Eu coloco a questão não tanto porque defendo a opção fundacional, mas porque estou convencido que no médio-prazo não nos restará alternativa.

- O primeio comentário que me ocorre é que não sei o que é uma universidade em modelo de fundação. A vaga ideia que tenho é que a lógica fundacional introduz uma filosofia de financiamento muito apoiada em financiamento privado, designadamente a angariação de recursos financeiros próprios por via de serviços prestados à comunidade. Ora, nessa lógica de financiamento, as áreas de Ciências Humanas e Sociais não são auto-sustentáveis (nem sei se as outras serão). Esta questão precisa a meu ver de muita informação e debate e neste momento parece-me prematuro.

- Não resisto a responder dizendo que precisamente as ciências humanas e sociais têm a beneficiar com aquele regime em detrimento da nossa actual situação. Situação esta em que, cada vez mais, as ciências sociais e humanas são relegadas para segundo plano. Se dúvidas existissem do meu argumento, nada melhor que olhar para o lado e colocar esta questão: não será o ISCTE uma instituição tipicamente focalizada nas ciências sociais e humanas, onde estão largamente ausentes as ciências naturais e a engenharia? Acha que o ISCTE fez mal em mudar?

- Não tenho ideia bem formada sobre o assunto e gosto de ouvir argumentos que contrariem o que pode ser a minha visão preconceituosa de que só à sombra do Estado as Humanidades têm possiblidades de viver. O exemplo do ISCTE é um excelente argumento.

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