2009-02-14

A este ritmo, no próximo ano vem o vogal da junta da Sé

Fiquei perpelexo ao saber que o convidado de honra do aniversário deste ano da minha universidade – festa marcada para terça-feira – é António José Seguro. A notícia foi difundida com a constatação de que a universidade está há muito desavinda com o Governo e não consegue – ou não quer, ou as duas coisas juntas – trazer cá os seus membros (no ano passado também veio uma figura de terceira linha).

Seguro é para todos os efeitos – descontando o movimento poético de Alegre – a face visível da oposição interna a Sócrates no PS. Terá certamente qualidades, mas não passa de um clone do seu secretário-geral, com tudo de negativo que esta apreciação acarreta. Mas atendendo a que vem na qualidade de presidente da comissão parlamentar que acompanha o ensino superior, mais negativa é a apreciação, pois foi neste âmbito que, entre outras coisas, foi negociada a actual lei de governação universitária. Negociação essa que envolveu Governo, Parlamento, e os suspeitos do costume – CRUP e outras estruturas corporativas.

No momento de se ouvirem os discursos, é bom não esquecer que foi nestas negociações que as corporações conseguiram, em sede de lei, coisas extraordinárias como o senado ou a possibilidade dos actuais reitores terminarem o mandato. Quem ficou satisfeito pode agora agradecer-lhe.

Ora, se já era a custo que uma pessoa se senta nas cadeiras estreitas e incómodas do Paço, com este alinhamento mais custoso se torna.

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