2008-03-29

À frente do seu tempo

Gostei de ouvir a entrevista que Pedro Passos Coelho deu há momentos à RTP2. Recordou-me os tempos da minha militância, quando era ele o presidente. É fácil perceber que mantém muitas das qualidades que são hoje exigidas a um líder partidário, apesar de não serem esses os atributos que pessoalmente mais valorizo. Cada vez mais, avalio propostas de política com medidas concretas e não enunciados retóricos de boas intenções. Dessas está o inferno cheio. Julgo que se deve exigir aos políticos propostas bem concretas. Por isso, destaco positivamente a forma desinibida como Passos Coelhos propôs a privatização da Caixa Geral de Depósitos, medida que é essencial para a higiene da economia portuguesa, ou - imagine-se, em plena RTP - a também necessária privatização desta empresa. Outros exemplos poderia dar mas, como digo, fiquemo-nos por propostas bem terrenas.

Depois de ouvir as propostas de Passos Coelho, um destacado militante do PSD, há uma questão incontornável: será que o PSD está à frente do seu tempo? Há poucas semanas fui procurar a resposta a esta questão no seu sítio na internet. Pesquisava doutrina e políticas alternativas a este "socialismo de loja dos 300" que nos molda, e sabem o único que encontrei? Nada mais, nada menos do que o programa eleitoral do PSD datado de ... 1992! Ora, com programas de 1992 o PSD só estará à frente do seu tempo se, depois de muita ginástica mental, nos lembrarmos que os anos 80 estão hoje na moda! Só se for por aí.

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