2009-06-04

Companhias aéreas sem asas

O que está a passar-se na TAP-Portugália, deveria levar o Governo a pensar duas vezes. Algo que ficou mais claro por causa duma greve iniciada hoje pelos pilotos da Portugália (PGA) que promete arrastar-se por 10 dias (sim, leu bem, dez dias). É uma situação de tal forma insustentável que até o presidente da TAP (proprietária da PGA) equaciona a alienação ou encerramento da PGA. E porque deveria o Governo pensar duas vezes nas suas políticas para o sector? Por um motivo muito simples: é que ele é o principal responsável desta situação que, começa agora a perceber-se, se irá agravar. É responsável porque nunca deveria ter autorizado a compra da PGA - uma empresa anteriormente detida pelo grupo Espírito-Santo - pela TAP, ocorrida em 2007. Ao faze-lo, agradou evidentemente ao grupo Espírito-Santo, na altura terá agradado igualmente à TAP e à própria PGA. Mas como este negócio ficamos todos prejudicados, desde logo porque em alguns mercados (particularmente na rota Lisboa-Porto) deixou de haver a pouca concorrência aí existente (com tudo de negativo que isto acarreta), e - não menos grave - onde anteriormente existia um problema (o da TAP), há agora dois problemas (o da TAP, ele próprio cada vez mais grave, e o da PGA). A sugestão deste blogue é por isso demasiado simples: venda-se a PGA enquanto ainda é vendável e não fica contagiada pelos graves problemas da própria TAP. Quanto a esta, componha-se rapidamente um embrulho e aliene-se também, mas a outro comprador.

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