2010-03-28

O esquema

João Cardoso Rosas, meu colega na Universidade do Minho, escreveu as seguintes palavras avisadas. Só lhe faltou dizer que a Universidade do Minho foi a primeira a entrar no esquema:

«[...] já a partir do próximo ano lectivo as instituições universitárias vão oferecer largas dezenas de novos cursos, com designações aceitáveis e inaceitáveis. Como se justifica este milagre de multiplicação, quando ainda há pouco tempo só se falava de redução? [...] Para o governo trata-se de fazer entrar na universidade os chamados "novos públicos". Os novos públicos são constituídos, na maior parte dos casos, por aqueles que acedem à universidade sem terem o 12º ano. Hoje é possível, para qualquer pessoa com mais de 23 anos, aceder à universidade. A ideia seria boa se o processo de entrada fosse rigoroso. Mas não é isso que acontece. Há instituições que se limitam a fazer um entrevista, outras fazem algum tipo de curso preparatório, ou exame, mas num espírito de grande facilitismo. [...]. Dir-se-ia que, apesar de tudo, a entrada de estudantes menos preparados não é grave, já que a universidade e os seus docentes têm sempre a possibilidade de os reprovar. Mas não é assim. A necessidade de financiamento pela via orçamental incentiva as universidades não só a admitir muitos estudantes, como também a conceder-lhes o grau de licenciado no prazo legal. Por isso os docentes são cada vez mais pressionados pelas instituições a passar os alunos. [...]» (i, 25 de Março de 2010)
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