2014-11-12

O marketing da morte

Até que ponto se pode promover o serviço duma ... funerária? Este é o tipo de serviço que ninguém deseja, quanto mais comprar! Como faze-lo então?!



Por estes dias, alguém anda a desafiar estas questões na minha caixa de correio. Quem envia os e-mails promocionais chama-se Paula Anjo - que diabo, que outro apelido haveria de ter? - e assina como "Promotora de eventos do Luto". Nem mais, nem menos. E o que nos propõe? Serviços tétricos, porventura? Não senhora. Propõe-nos "eventos de luto" com "entrada livre" (pudera), por sinal todos eles inteligentes e com sentido. E termina: «Mais se informa que está projetada a ocorrência de um evento por mês sobre a temática da Morte e Luto, no sentido de sensibilizar a população para a finitude da vida e, consequentemente, para um luto sadio.» Ou seja, repare bem ilustre leitor, a morte possui um lado ... sadio!!! Ficou convencido? Não?! Então tome lá mais esta de Eurípedes que vem no mesmíssimo e-mail: "Quem sabe dizer se a vida não é o que chamam de morte e a morte não é o que chamam de vida?». E com esta de Eurípedes fica-se completamente convencido. É caso para dizer que se morresse agora, iria querer este Anjo a tratar-me do lado sadio.

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