2005-10-11

DEPRESSÃO. Tendo como fonte o Instituto Nacional de Metereologia, a comunicação social está a informar que o país está com uma depressão até quinta-feira. Empreender está convencido que a depressão começou bem antes do Vince e não vai passar quinta-feira.

2005-10-10

Prémio
VERÃO QUENTE
Por Vasco Eiriz

Terminou mais um Verão. Um Verão quente. Qual “silly season”, já não há memória de um Verão tão quente como este. Quente e seco. Com seca extrema ou severa.

A reincarnação do Verão quente de 1975 ocorreu com a proclamada intenção em expropriar activos da Bombardier, uma das muitas empresas que simbolizam a erosão competitiva de Portugal. Quando a erosão deixa de ser um processo estritamente morfológico e se estende à base empresarial de um país, o problema agrava-se. Quando isto acontece num Verão quente e seco, então todos os cuidados são poucos. Onde o Governo deveria dar sinais de encorajamento à reestruturação do tecido empresarial português, prefere dar um sinal de afastamento de investidores estrangeiros e de manutenção do estado actual da economia.

Além da protecção do emprego, o álibi da expropriação seria a manutenção de um centro de competências no país. Não se sabe que competências são essas. Tão pouco se sabe em que pé se encontra esta expropriação, um termo que definitivamente não rima com os tempos em que vivemos. Mas que este episódio foi um péssimo sinal para os investidores, lá isso foi.

Também o ICEP, a quem cabe responsabilidades importantes na promoção do investimento estrangeiro, parece não ter andado muito preocupado com o assunto. Lançou uma campanha na imprensa estrangeira suportada por um longo (e maçudo) texto intitulado “Portugal: A Passion for Innovation” no qual se vangloriavam os feitos inovadores das empresas portuguesas. Ora, qualquer potencial investidor que tenha tido o cuidado de ler o anúncio não deixará de notar o paradoxo de um país com tantos feitos tecnológicos mas incapaz de pôr no ar o sítio na internet aí divulgado. Será este um novo modelo de inovação estritamente baseado na paixão, mas sem resultados palpáveis?

Também neste Verão passou a ser possível criar empresas num único dia, apesar de, como vimos, encerrá-las ser bem mais difícil. O facto de se tratar duma experiência e, como tal, estar ainda restringida a algumas zonas do país, não retira mérito à iniciativa, caso ela se venha a disseminar. Trata-se, contudo, dum passo que coloca exigências ainda maiores em termos de licenciamento. Na verdade, são cada vez mais raros os negócios que não necessitam de algum tipo de licença, frequentemente envolvendo várias entidades. Facilitar a criação rápida de empresas sem actuar sobre o licenciamento e sobre a complexa teia de interesses nele instalada, significa fomentar empresas com actividades ilegais. Por isso mesmo seria importante que a “paixão pela inovação”, os choques e planos tecnológicos começassem por resolver os estrangulamentos mais elementares e que subsistem há décadas no país. Algo que requer tanto de inovação organizacional como de inovação tecnológica.

A propósito de inovação, neste Verão voltou a assistir-se ao que parece ser um dos melhores sintomas da nossa manifesta incapacidade de organização e alcançar resultados. Não, não se trata do défice, do PIB ou da balança comercial. Trata-se da forma como convivemos com os incêndios. Haverá algo mais visível do que os incêndios para ilustrar a nossa incapacidade em lidar com um problema? Ano após ano, continuamos a desconhecer as causas, improvisamos meios, discutimos soluções, mas não resolvemos o problema, não alcançamos resultados.

E tudo isto apesar do anúncio a que aludimos proclamar, logo a abrir, a capacidade das empresas portuguesas fornecerem “soluções inovadoras para problemas complexos” como, imagine-se, “combater incêndios por satélite”! Haverá maior paradoxo do que este? O que as imagens que chegam por satélite mostram não é nada disto. Vêem-se velhinhas desesperadas com alguidares, imensas acusações de fogo posto, resultados insuficientes na penalização, muito combate político por detrás das chamas, alguma lamentação pela escassez de meios, e, teme-se, muita desorganização. Muita desorganização. Nesta matéria, é provável que o próximo Verão volte a ser um Verão quente.

Referência original: Eiriz, Vasco (2005), Verão quente, Prémio, N.º 94 (23 de Setembro), p. 40

Outros artigos Prémio

Eiriz, Vasco (2005), Happy hour na auto-estrada, Prémio, N.º 86 (8 de Julho), p. 46
Eiriz, Vasco (2005), Ecologia organizacional, Prémio, N.º 81 (3 de Junho), p. 38
Eiriz, Vasco (2005), Estandardização e adaptação, Prémio, N.º 75 (22 de Abril), p. 48

2005-10-08

ÉVORA. Já está no ar o sítio das jornadas hispano-lusas de gestão. A submissão de artigos termina no final deste mês.

REDES DE CONHECIMENTO. Os artigos sobre "redes de conhecimento sobre gestão pública" a apresentar no congresso nacional de administração pública são os seguintes:
  • A confiança e o poder em relacionamentos inter-organizacionais: duas dimensões chave para o seu sucesso e estabilidade (Mário Batista Franco – Universidade da Beira Interior);
  • Sociedade, tecnologia e serviço público (Paulo Sérgio Ferreira – Universidade de Lisboa);
  • A aprendizagem organizacional: um novo paradigma a adoptar pelas organizações (Tânia da Costa Ferreira e Mário Batista Franco – Universidade da Beira Interior);
  • Redes de conhecimento na relação Universidade-Empresa (Vasco Eiriz – Universidade do Minho);
  • Informação geográfica – estrutura de inovação na Administração Pública (Teresa Serafino – Municípia, SA);
  • Metodologia para a implementação incremental de projectos de sistemas de informação em Unidades de Saúde (Luís Lapão e António Grilo – Instituto Nacional de Administração e NeoBiz Consulting);
  • Reorganização pública por intermédio de equipes de conhecimento (António Carvalho e Edson Oliveira – Universidade de Taubaté, Brasil)

2005-10-07

ROTINAS. O último número da Industrial and Corporate Change (vol. 14, N.º 5, Outubro de 2005) inclui uma secção dedicada à operacionalização do conceito de rotinas. O primeiro dos cinco artigos dedicados ao tema intitula-se "Applying organizational routines in understanding organizational change" e é da autoria de Markus C. Becker, Nathalie Lazaric, Richard R. Nelson, e Sidney G. Winter.


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2005-10-04

IDEIAS DE NEGÓCIO. Está em curso a nona edição do concurso de ideias de negócio da ANJE. Para jovens até 35 anos.

NOTÁRIO. Deve recorrer a um notário público ou privado? Esta é a questão que a DECO levanta e procura responder.

EMIGRAR. No Correio da Manhã de ontem:

"Para escaparem da crise, milhares de portugueses agarram na mala de cartão e partem à Procura de trabalho no estrangeiro. Mas do romantismo pimba de Linda de Suza não resta quase nada, só a frustração que historicamente levou a população nacional a emigrar. Os primeiros números de 2004 revelam um crescimento na chegada de portugueses a países como Suíça, Espanha, Andorra e França."

2005-10-03


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