2007-10-28

Rio das Flores
Miguel Sousa Tavares
Oficina do Livro, 2007


Este "Rio das Flores", a ser colocado amanhã nas bancas, deve ser o próximo "best-seller" das livrarias portuguesas (e, neste caso, também dos supermercados). Depois das 528 páginas de Equador que aqui não se leram, seguem-se agora 640 com enredo e autoria que auspiciam novo sucesso. Embora o seu argumento seja suficientemente apelativo para eu próprio, numa ida ao supermercado, o juntar a uma grade de cerveja e uns amendoins, não pode deixar de se questionar se um romance não ganharia imenso com menos umas centenas de páginas. E à medida que escrevo não deixo, por isso mesmo, de notar uma oportunidade para uma disciplina, sei lá, de Economia Narrativa, que talvez fosse benéfica a Sousa Tavares. É assim, a sinopse: «Sevilha, 1915 - Vale do Paraíba, 1945: trinta anos da história do século XX correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil. Através da saga dos Ribera Flores, proprietários rurais alentejanos, somos transportados para os anos tumultuosos da primeira metade de um século marcado por ditaduras e confrontos sangrentos, onde o caminho que conduz à liberdade parece demasiado estreito e o preço a pagar demasiado alto. Entre o amor comum à terra que os viu nascer e o apelo pelo novo e desconhecido, entre os amores e desamores de uma vida e o confronto de ideias que os separam, dois irmãos seguem percursos diferentes, cada um deles buscando à sua maneira o lugar da coerência e da felicidade. Rio das Flores resulta de um minucioso e exaustivo trabalho de pesquisa histórica, que serve de pano de fundo a um enredo de amores, paixões, apego à terra e às suas tradições e, simultaneamente, à vontade de mudar a ordem estabelecida das coisas. Três gerações sucedem-se na mesma casa de família, tentando manter imutável o que a terra uniu, no meio da turbulência causada por décadas de paixões e ódios como o mundo nunca havia visto. No final sobrevivem os que não se desviaram do seu caminho.»

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