2007-12-04

Connectis

Parques tecnológicos
Por Ana Paula Faria

Os parques tecnológicos são espaços cuja propriedade é partilhada por várias entidades e têm por objectivo apoiar empresas de base tecnológica em fase de lançamento. Os parques tecnológicos caracterizam-se ainda por terem ligações a Universidades ou outras instituições de investigação.

Em geral, as empresas de base tecnológica são vistas como um excelente meio de transferir para o mercado conhecimento e tecnologia que foi desenvolvida por académicos que possuem o conhecimento técnico e científico associado à tecnologia em causa, mas não têm os conhecimentos de gestão e de mercado necessários para a implementação de um negócio. As empresas localizadas nos parques tecnológicos podem, assim, usufruir de maior ou menor apoio, por exemplo, podem recorrer a serviços completos de consultadoria em gestão ou apenas alugar o espaço das instalações. Para além deste tipo de apoio, a localização num parque tecnológico pode trazer outro tipo de benefício para as empresas, tal como melhor imagem e reputação, acesso a redes de conhecimento e clientes.

Dado que estes benefícios podem ter um impacto positivo no sucesso das empresas, torna-se pertinente investigar se efectivamente as empresas localizadas em parques tecnológicos apresentam melhor desempenho do que empresas similares mas localizadas fora destes parques. Alguns estudos recentes realizados no Reino Unido, Finlândia e Suécia investigaram esta questão. Apesar da evidência empírica ser ainda reduzida, os resultados encontrados mostram que as empresas localizadas em parques tecnológicos são mais jovens e mais pequenas do que as empresas localizadas fora destes parques, mas apresentam marginalmente melhores taxas de sobrevivência e de crescimento. Serão então os parques tecnológicos tão relevantes para o crescimento económico?

Apesar da existência relativamente recente destas entidades, a análise comparativa entre diferentes países no que respeita a políticas e práticas de gestão dos parques tecnológicos mostra que existem claras diferenças quer na abordagem quer nos resultados. Neste contexto, a Finlândia surge como um exemplo de sucesso. Em particular, o governo assumiu uma atitude pro-activa através da criação de um ambiente de aprendizagem e de fomento do empreendedorismo que permitiu a criação de pólos empresariais intensivos em tecnologia, os quais se têm revelado importantes fontes do crescimento económico do país. Neste caso, uma abordagem com coordenação dos esforços ao nível da política pública e uma cultura de cooperação revelou-se eficaz.

Ana Paula Faria é professora da Universidade do Minho. Possui o PhD em economia pela University of Nottinghan (Reino Unido) e as suas áreas de interesse académico incluem temas como a inovação e mudança tecnológica, produtividade e eficiência.

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