2008-05-11

Não basta ovos moles

Soube através do Co-labor, um blogue gerado em Aveiro, que «o Senhor Primeiro-Ministro, Eng.º José Sócrates, e o Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Prof. José Mariano Gago, deslocam-se à nossa Universidade, na próxima segunda-feira, dia 12 de Maio, para efectuar a sessão de lançamento das novas iniciativas para o desenvolvimento científico nacional “Ciência 2008 – Mais Cientistas para Portugal”» Dois apontamentos sobre a visita governamental à Universidade de Aveiro e o simbolismo que ela encerra que quero aqui registar a partir de um canudo de Braga:
Em primeiro lugar, faz bem o Governo em escolher a Universidade de Aveiro, uma das três instituições que manifestou um genuino desejo de reforma ao aderir à figura da fundação prevista na lei de 2007 sobre governação universitária, agora em fase de implementação. Poderia ter escolhido uma das outras duas instituições a fundacionar-se: o ISCTE - a viagem seria fisicamente mais curta -, ou o Porto - a maior universidade portuguesa. Mas, convenhamos, neste Governo há mestria de comunicação: o ISCTE seria "ideologicamente" excessivamente próximo; e do Porto vêm notícias de que as barreiras à reforma são por enquanto ainda fortes. Fez, por isso bem o Governo em escolher Aveiro, uma universidade "in" que até sai nas novelas.

Em segundo lugar, numa visita de cortesia destas, não basta provar ovos moles. O Governo deve mesmo premiar a Universidade de Aveiro por ser (pelo menos, aparentemente) arrojada. Se de facto, a reforma vai ser genuína (algo que está ainda por provar), então o Governo deve dar a mão (e passar o cheque) a quem dá passos no sentido certo.

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