2008-11-22

Manifesto pela comunicação científica em português

Um dos aspectos que me chamou primeiramente a atenção na sessão que ontem moderei no 2.º Encontro Luso-Brasileiro de Estratégia foi o facto de, entre os cinco artigos a apresentar, os três primeiros terem títulos em inglês, embora fossem da autoria de investigadores de língua portuguesa. Reparei, mas, talvez influenciado pelo facto do inglês ser cada vez mais a língua de comunicação em termos internacionais e haver outras conferências em que isto também acontece (por exemplo, nas jornadas luso-espanholas de gestão), não valorizei suficientemente o facto. Até que terminada a apresentação do primeiro desses artigos, significativamente, a primeira questão colocada ao colega português por parte de um professor senior da Universidade de São Paulo foi sobre os motivos do suporte da apresentação estar escrito em inglês. De facto, tratando-se de um encontro luso-brasileiro, por que motivo o colega tinha escrito em inglês e não em português?! A resposta foi óbvia: o artigo original e submetido à conferência está escrito em inglês afim de facilitar o seu processo de submissão e difusão através duma revista "internacional". Infelizmente, na academia portuguesa, o argumento e a prática do colega português tem toda a razão de ser, mas para mim este episódio alertou-me para algo que não me tinha ainda ocorrido: o Brasil é hoje provavelmente o país do mundo que mais e melhor defende a língua portuguesa, enquanto do lado de cá vivemos provincianamente maravilhados com outras línguas. Pelo menos na área científica da gestão existe um terrivel complexo de escrever e publicar em português. Como comentava comigo José Paulo Esperança, chegará o dia em que escrever em português é que será valorizado.

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