Submetida recentemente, a dissertação do Mestrado em Estudos de Gestão da Universidade do Minho intitulada Redes Colaborativas e Desenvolvimento de Destinos Turísticos: O Turismo em Chaves Visto numa Perspetiva em Rede, da autoria de Ana Rita Gonçalves Araújo, tem, como o próprio título indica, por objeto o turismo em Chaves, procurando compreender de que forma os agentes locais colaboram ou podem colaborar em rede para reforçar a cidade e a região como um destino turístico. A pesquisa concilia, desta forma, contributos da área da estratégia, marketing organizacional, e turismo para compreender um fenómeno relevante e atual: o do desenvolvimento da atractividade turística de um destino do interior.
«O turismo tem vindo a assumir uma posição cada vez mais importante, tornando-se num dos setores que mais cresce em Portugal. É observável que o turismo em Chaves também tem ganho importância. É do interesse da cidade e das organizações locais desenvolver estratégias para tirar um maior proveito do turismo. Devido à existência de uma elevada oferta de destinos turísticos e aos potenciais benefícios que o turismo pode gerar, é crucial que a cidade se torne num destino turístico aliciante através da criação de estratégias inovadoras que lhe confiram uma identidade única. Este não é um trabalho unilateral duma única entidade. A cooperação ativa entre diversos atores com atividades direta ou indiretamente ligadas ao turismo pode gerar oportunidades no turismo. Neste estudo pretende-se perceber de que modo é que as organizações locais, trabalhando em conjunto, são capazes de tornar a cidade de Chaves mais atrativa para os turistas. Para dar resposta a esta questão de partida faz-se uma análise da estrutura do turismo na cidade, descriminase como é possível aumentar atratividade turística da cidade, analisa-se a estrutura relacional dos atores turísticos estudados, e compreende-se a importância da colaboração em rede para a competitividade turística e para o desenvolvimento da cidade e da região, procurando detetar dificuldades ao desenvolvimento dessas redes. A pesquisa realizada é qualitativa e possui natureza descritiva e exploratória. Foram realizadas oito entrevistas semiestruturadas em sete organizações que são afetadas com o aumento do turismo na cidade de Chaves. Com este estudo conclui-se que o aumento do turismo em Portugal e a procura dos turistas por experiências autênticas são oportunidades que podem ser captadas por pequenas cidades do interior do país como Chaves. Uma cidade deve ser capaz de oferecer uma oferta diferenciada para se destacar de outros destinos turísticos. Uma forma duma cidade como Chaves se diferenciar passa pelo desenvolvimento de estratégias cooperativas através de redes organizacionais locais envolvendo atores diversos do município e municípios vizinhos que contribuam em conjunto para criar um destino turístico único.»
Teses e dissertações
2015-10-09
Conclusão de projetos de investigação
Vão realizar-se brevemente duas provas de mestrado que, tendo orientado ao longo do último ano, quero aqui assinalar.
A primeira delas terá por base a dissertação de Filipa Santos Guimarães, realizada no âmbito do Mestrado em Marketing e Estratégia. Intitula-se Ligações Afetivas com as Marcas - Análise dos Relacionamentos dos Consumidores com os Festivais de Verão em Portugal e terá lugar na sala de atos da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho no próximo dia 20 de outubro pelas 9:00 horas.
A outra, da autoria de Vítor Hugo Cortez Carvalho Ferreira, intitula-se Estudo da Adoção de Tecnologias pelas Micro e Pequenas Empresas de Retalho Alimentar. Foi realizada no Mestrado em Economia Industrial e da Empresa e a respetiva prova está marcada para o mesmo local da anterior no dia 4 de novembro pelas 10:00 horas.
A primeira delas terá por base a dissertação de Filipa Santos Guimarães, realizada no âmbito do Mestrado em Marketing e Estratégia. Intitula-se Ligações Afetivas com as Marcas - Análise dos Relacionamentos dos Consumidores com os Festivais de Verão em Portugal e terá lugar na sala de atos da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho no próximo dia 20 de outubro pelas 9:00 horas.
A outra, da autoria de Vítor Hugo Cortez Carvalho Ferreira, intitula-se Estudo da Adoção de Tecnologias pelas Micro e Pequenas Empresas de Retalho Alimentar. Foi realizada no Mestrado em Economia Industrial e da Empresa e a respetiva prova está marcada para o mesmo local da anterior no dia 4 de novembro pelas 10:00 horas.
2015-08-07
Ligações afetivas com as marcas
A dissertação Ligações Afetivas com as Marcas - Análise dos Relacionamentos dos Consumidores com os Festivais de Verão em Portugal, da autoria de Filipa Santos Guimarães, que orientei no último ano, resume-se nas seguintes palavras:
«A presente dissertação tem como tema principal o conceito de “Amor pelas Marcas”: um tipo de relacionamento profundo e duradouro estabelecido entre consumidores e marcas, que inclui sentimentos de avaliação, emoções positivas e declarações de amor face à marca e que resulta em consequências benéficas e lucrativas para as organizações. Tendo em conta a crescente importância dos serviços nas economias dos países desenvolvidos e as características específicas deste tipo de mercados - com estratégias de marketing distintas dos produtos tangíveis -, esta dissertação definiu como objeto de estudo os Festivais de Verão em Portugal. Atendendo ao crescente boom na indústria deste tipo de eventos e à temática central do estudo, o problema de pesquisa que se pretendeu ver resolvido foi: “Quais os antecedentes e consequências do Amor pelas Marcas de serviços, no caso dos Festivais de Verão?”. Desta forma, foi elaborada uma análise quantitativa, com base num questionário aplicado online, que obteve 349 respostas válidas. Apesar das implicações do estudo, nomeadamente a escassez de informação sobre o “Amor pelas Marcas” no caso dos serviços ou a impossibilidade de generalização dos resultados obtidos, concluiu-se que a qualidade percebida, os serviços hedónicos e funcionais e a identificação com as marcas são variáveis que funcionam como antecedentes do “Amor pelas Marcas” e que o passa-a-palavra e a participação ativa são consequências deste tipo de relacionamento, no caso dos Festivais de Verão em Portugal. Assim é fundamental que as marcas criem laços afetivos com os consumidores com base em ações personalizadas, interativas e mensuráveis, para que os consumidores sejam fieis à marca, independentemente do preço, funcionem como embaixadores das marcas e resultem em lucros elevados, permitindo que as marcas tenham força e vantagens competitivas nos mercados.»
2015-07-13
Professional electronic sports
Intitula-se Business Models in Professional Electronic Sports Teams, é da autoria de João Pedro Brito Cício de Carvalho, e foi orientada por mim. A defesa ocorreu recentemente no âmbito do Mestrado em Marketing e Estratégia da Universidade do Minho. Resume-se:
«Since the beginning of the century, a new form of competition has surfaced through the use of computer technology and global communications. Over these recent years the competitive play of video games, dubbed as electronic sports, or simply esports, has grown from a pastime to a fully professional activity. From all over the world, hundreds of players battle each other in virtual arenas for a chance to reach the millionaire prize pools the top competitions offer, and for the amusement of the millions of the fans who follow them. Not to mention, for a chance to play in some of the biggest sports venues, as these competitions have started to step out of the digital realm to fill live stadiums. Still, despite the fact that esports have grown so much in the latest years, not much is known about the teams that compose this universe. So, this research aimed to bring clarity to how electronic sports teams work, by using business models as conceptual tools to display the different elements of the team’s businesses. To do so, sports and esports managers were interviewed in order to better understand how they run their teams. Starting with traditional sports, identifying the essential details that teams need to operate and building their business models, and then moving to esports, where business models were not only identified, but also improved. Additionally, three generic business models were designed for teams with different objectives and in different organizational levels. Moreover, this research also identified common elements between sports and esports, as well as the main catalysts behind the esports success.»
2014-06-16
Carteira de relacionamentos com clientes
A dissertação intitulada Análise da Carteira de Relacionamentos com Clientes – Estudo Quantitativo numa Empresa de Prestação de Serviços, da autoria de Raquel Vale e Vasconcelos Gama Reis, resume-se nos seguintes termos:
«Esta dissertação destaca a importância da análise da carteira de relacionamentos com clientes como instrumento de gestão de relacionamentos, base duma estratégia de relacionamento. O estudo analisa uma carteira de clientes com base num modelo que distingue características estruturais e características relacionais da carteira, ambas essenciais para a caracterização e gestão de carteiras. A pesquisa empírica foi efetuada através de uma abordagem quantitativa da carteira de clientes de uma empresa de prestação de serviços a empresas. Foi elaborada uma base de dados contendo as características estruturais da carteira de todos os clientes (60 clientes), tendo-se usado os dados secundários dos clientes que se encontram disponíveis na empresa estudada e noutras fontes oficiais. De seguida, foi aplicado um questionário aos clientes. O questionário é composto por questões direcionadas para compreender as características relacionais da carteira, estudadas do ponto de vista do cliente. Responderam a este questionário um total de 47 empresas, a que corresponde uma taxa de resposta de 78,3 por cento. O modelo aplicado nesta pesquisa mostrou ser bastante útil para analisar a carteira estudada, revelando-se adequado para a análise de outras carteiras. Para além da caraterização dos clientes e dos relacionamentos com eles estabelecidos, esta análise da carteira permitiu extrair contributos importantes em termos de serviços oferecidos, potencial de desenvolvimento de novos serviços, satisfação dos clientes, e, entre outros, dificuldades e mecanismos de relacionamento. Em termos gerais, este estudo propõe ferramentas de análise de carteiras e dá um contributo para colmatar a escassez de pesquisas sobre o tema.»
2014-06-03
Estratégia e relacionamento na distribuição
A dissertação intitulada Estratégia e Relacionamento em Canais de Distribuição de Vinhos, da autoria de Helena Maria Pereira da Silva Malheiro, resume-se nos seguintes termos:
«Esta dissertação analisa o desenvolvimento de estratégias de distribuição e explica os relacionamentos gerados no seio dos canais de distribuição de vinhos portugueses no mercado doméstico. O objetivo principal passa por compreender diferentes formas de cooperação entre os atores do sector, tendo em conta os seus objetivos estratégicos e o modo como os membros dos canais de distribuição se articulam e relacionam entre si por forma a melhorar a sua capacidade de ação no mercado. Foi adotada uma metodologia qualitativa através de um método pouco explorado, o método Delphi, que envolveu um painel de nove participantes. De forma complementar foram realizadas quatro entrevistas em profundidade a retalhistas do setor como forma de enriquecimento e validação dos resultados obtidos através do método Delphi. Os resultados alcançados permitiram identificar os formatos de distribuição mais relevantes, analisar os tipos de relacionamento que se estabelecem entre os diferentes membros dos canais de distribuição, identificar os principais desafios e oportunidades para estes membros, e identificar formatos de distribuição de vinhos com maior potencial de crescimento.»
2014-05-28
Cultura organizacional e estratégia
A dissertação intitulada Estratégia e Cultura nos Três Maiores Clubes de Futebol Portugueses, da autoria de Frederico Emanuel Teixeira Portocarrero Baganha Cardoso, resume-se nos seguintes termos.
«Esta dissertação analisa a relação entre cultura organizacional e estratégia de clubes de futebol. Faz uma análise comparativa da forma como os três maiores clubes de futebol portugueses gerem a sua estratégia no que respeita às seguintes áreas de estudo: mudança; liderança e controlo; e rivalidade, concorrência e capacidades dinâmicas. No que respeita à cultura organizacional são consideradas as seguintes áreas: análise histórica e cultural; cultura e socialização organizacional; e recursos idiossincráticos. A metodologia utilizada baseou-se na análise documental e na realização de três grupos de foco compostos por um total de vinte e quatro adeptos dos três maiores clubes de futebol portugueses: Futebol Clube do Porto; Sport Lisboa e Benfica; e Sporting Clube de Portugal. A dissertação dá um contributo para compreender de que forma a estratégia e a cultura estão relacionadas no futebol em geral, e nos clubes estudados em particular. Para além da compreensão conceptual da relação entre estratégia e cultura, esta dissertação dá um contributo ao estudar o tema num contexto habitualmente pouco explorado, embora rico para a análise empírica do tema. Dá também um contributo prático mostrando de que forma os clubes de futebol podem usar a sua esfera cultural para melhorar a sua estratégia, e de que forma a estratégia pode ajudar a fortalecer a cultura organizacional desses clubes.»
2014-05-15
Gente que marca
Há coisas que de tão importantes que são nem sempre são ditas. Muitas vezes porque não sabemos a melhor forma de o dizer.

Este intróito serve para justificar algumas semanas de atraso à referência sobre a submissão de quatro dissertações do Mestrado em Marketing e Estratégia da Universidade do Minho que orientei ao longo dos últimos 12 meses (formalmente não mais do que oito meses a adicionar a quatro outros de preparação).

E porque é isto assim tão importante? Precisamente porque, no seu conjunto, estas quatro dissertações representam em quantidade e qualidade média uma das melhores colheitas - senão mesmo a melhor - de muitos anos dedicados ao ofício. Isto é gente que marca de tal forma que até apetece dizer um pecado. Fica a seguir registado algo mais do que uma lista (os resumos e textos integrais serão oportunamente disponibilizados na área de Investigação e ensino desta página), ordenada pelo primeiro nome das autoras e do autor:

Este intróito serve para justificar algumas semanas de atraso à referência sobre a submissão de quatro dissertações do Mestrado em Marketing e Estratégia da Universidade do Minho que orientei ao longo dos últimos 12 meses (formalmente não mais do que oito meses a adicionar a quatro outros de preparação).

E porque é isto assim tão importante? Precisamente porque, no seu conjunto, estas quatro dissertações representam em quantidade e qualidade média uma das melhores colheitas - senão mesmo a melhor - de muitos anos dedicados ao ofício. Isto é gente que marca de tal forma que até apetece dizer um pecado. Fica a seguir registado algo mais do que uma lista (os resumos e textos integrais serão oportunamente disponibilizados na área de Investigação e ensino desta página), ordenada pelo primeiro nome das autoras e do autor:
- Desenvolvimento de Marcas Coletivas Internacionais no Sector do Calçado, Catarina Rosária Pinheiro Carvalho
- Estratégia e Cultura nos Três Maiores Clubes de Futebol Portugueses, Frederico Emanuel Teixeira Portocarrero Baganha Cardoso
- Estratégia e Relacionamento em Canais de Distribuição de Vinhos, Helena Maria Pereira da Silva Malheiro
- Análise da Carteira de Relacionamentos com Clientes – Estudo Quantitativo numa Empresa Prestadora de Serviços, Raquel Vale e Vasconcelos Gama Reis
2013-07-30
Um clássico oculto
É sempre gratificante quando descobres que aquele conceito oculto da literatura a que muito poucos ligam, e que está na base duma tese de doutoramento realizada em 1980 de um autor que muito prezas, ainda por cima doutorado na tua mesma universidade, está agora disponível gratuitamente no formato do livro correspondente publicado em 1989. O conceito em causa é o de "receitas da indústria". Um pequeno conceito; uma grande tese e um contributo importante para compreender a estratégia empresarial.
2013-05-12
Produtos e serviços
Intitula-se Do Produto ao Serviço - Um Continuum de Soluções Integradas no Negócio das Tecnologias de Impressão. É da autoria de José Manuel de Castro Oliveira e debruça-se sobre o desenvolvimento de serviços em empresas tradicionalmente focadas em produtos, levando-as a migrar para modelos de negócio que integram de forma simultânea produtos e serviços.
«Esta dissertação analisa a mudança de paradigma de produto para serviço nas empresas de tecnologia de impressão, mais especificamente das empresas que produzem equipamentos (impressoras, fotocopiadores e outros) para o segmento escritório e que atuam no mercado empresarial. A evolução da tecnologia na área da impressão desde a II Guerra Mundial até ao presente foi maior que nos cinco séculos depois da invenção de Gutenberg. O aparecimento de novas tecnologias digitais e a sua acessibilidade na sociedade ditaram alterações de procedimentos que permitiram aos que delas usufruem repensar a posição relativamente à sustentabilidade do suporte físico em detrimento da desmaterialização da informação. O acesso a produtos tais como impressoras ou fotocopiadores fez com que as vendas e quota de mercado das empresas que tradicionalmente vendiam estes produtos como prémio se vissem confrontadas com concorrentes que transformaram estes produtos em "commodities", reduzindo assim o volume de vendas e margens do negócio. Do universo destas companhias foram estudadas quatro grandes empresas, duas que já transitaram de produtos para serviço e duas outras que estão atualmente nesse processo. A metodologia adoptada baseou-se na análise do conteúdo de entrevistas semi-diretivas apoiadas por guiões de entrevista. A análise dos resultados permitiu esclarecer duas realidades diferentes: as empresas em estudo que já transitaram de produtos para serviço; e as empresas que estão em fase de transição e operam num mercado mais hostil. Nestas empresas, os produtos prémio são agora "commodities" tendo elas de concorrer com rivais que no passado eram fabricantes de produtos para o mercado de consumo. Este facto faz com que as empresas outrora detentoras de fortes posições no mercado, tenham agora de encetar uma migração cautelosa com novas formas de gestão, mas muito mais célere por forma a tirar partido da carteira de clientes e activo das suas marcas, cativando assim novos mercados e clientes.»
A dissertação da autoria de Luis Miguel Barbosa Sousa Costa a cujo trabalho me referi recentemente, intitula-se Estratégias e Práticas de Marketing Relacional de Pequenas Empresas de Serviços Profissionais Especializados em Arquitetura. Há títulos que pela forma como estão articulados dizem tudo. Ainda assim, fica registado o resumo:
«A aplicação do marketing relacional é transversal a diferentes tipos de organizações e setores. No entanto, a operacionalização do conceito requer estratégias e práticas específicas adaptadas a diferentes realidades. Esta investigação qualitativa analisa a aplicação do marketing relacional em pequenas empresas de serviços profissionais especializados em arquitetura no mercado português. Este estudo baseia-se em dados recolhidos junto de oito profissionais liberais do setor. Estes profissionais participaram em três grupos de discussão realizados em diferentes datas. A análise de dados mostra que existe um padrão de comportamento comum às pequenas empresas que prestam serviços especializados em arquitetura. Os resultados mostram ainda que existe uma hierarquização das estratégias e práticas de relacionamento usadas nestas empresas, indiciando que elas abordam os seus relacionamentos de acordo com um quadro mental específico do setor. O tratamento personalizado, a agregação de serviços e a interrelação de preços são as estratégias que constituem o núcleo duro do exercício de marketing relacional nestas empresas, enquanto a interação, o network marketing e o e-marketing são as práticas fundamentais que foram identificadas. Em síntese, estas pequenas empresas estão claramente enquadradas no conceito de marketing relacional e praticam-no no seu quotidiano, mas possuem um entendimento distinto das estratégias e práticas genéricas revistas na literatura. Isto é, nas empresas estudadas existem especificidades nas estratégias e práticas de relacionamento que permitem concluir que a aplicação do conceito de marketing relacional requer adaptações aos diferentes contextos. Desta forma, parece não fazer sentido uma abordagem genérica ao conceito que não tenha em conta as especificidades do seu contexto de aplicação. Para além desta contribuição, a presente dissertação contribui para um melhor conhecimento das estratégias e práticas de relacionamento, sobretudo no contexto das pequenas empresas de serviços profissionais especializados em arquitetura em Portugal.»
2013-03-29
Serviços profissionais
Dá uma enorme satisfação poder emitir uma declaração de conclusão de dissertação. Mas desta vez deu um gozo especial. Se dúvidas existissem que é possível efectuar uma boa dissertação em dois trimestres, elas ficaram esclarecidas de forma cristalina e inequívoca esta semana. Um mês antes do prazo estabelecido no calendário escolar, aí está a prova dos nove, traduzida na dissertação intitulada Estratégias e Práticas de Marketing Relacional de Pequenas Empresas de Serviços Profissionais Especializados em Arquitetura, realizada por Miguel Costa. É óbvio que nem o Miguel nem o seu orientador brincam em serviço: um responde de forma rápida e o outro não se fica atrás. Este não é, contudo, o padrão mais comum; também por isso deu gozo.
Nem sempre é fácil identificar de forma completa as causas do sucesso. Neste caso, não estarei longe da verdade se afirmar que foi um misto de disciplina, dedicação e empenho recíproco, qualidades que não são nada etéreas e só fazem sentido se orientadas para resultados. E devidamente enquadradas por objectivos programados, ambiciosos e realistas. Um resultado deveras encorajador. E que mostra ser possível realizar trabalhos de pesquisa com qualidade em poucos meses. Deu pica.
Nem sempre é fácil identificar de forma completa as causas do sucesso. Neste caso, não estarei longe da verdade se afirmar que foi um misto de disciplina, dedicação e empenho recíproco, qualidades que não são nada etéreas e só fazem sentido se orientadas para resultados. E devidamente enquadradas por objectivos programados, ambiciosos e realistas. Um resultado deveras encorajador. E que mostra ser possível realizar trabalhos de pesquisa com qualidade em poucos meses. Deu pica.
2013-03-22
Empreendedorismo na serra
Dia dedicado a uma prova de doutoramento sobre eficiência empreendedora no sopé da Serra da Estrela, na Universidade da Beira Interior. Ía fazer uma arguência, mas aparentemente fiz uma arguição. Distinção que foi comentada lateralmente e que tive já oportunidade de constatar o quão acertada parece estar. E com detalhes destes - que não creio que decorram do processo de Bolonha - percebe-se o quanto andamos enganados. Trajado à medida do protocolo académico e dos compromissos da tal arguição, não deu para subir à Torre. Foi ainda assim um dia bem passado com longas viagens aproveitadas para colocar conversas em dia, rever pessoas estimadas, conhecer outras pessoalmente, e participar numa discussão informada sobre empreendedorismo. Como digo, não deu para subir lá cima. Foi pena. Mas os ares da Serra servem sempre para refrescar as ideias. Numas ocasiões literalmente. Noutras, como no dia de ontem, com tempero primaveril.
2013-02-14
Provas de mestrado
Na manhã do próximo dia 26 de fevereiro irão decorrer duas provas de mestrado baseadas em dissertações com temas deveras interessantes. Pelas 9:30 horas, Pedro Miguel Ribeiro apresentará e defenderá a dissertação intitulada O Papel das Redes Socias no Crescimento Empresarial. Logo a seguir, pelas 11:30, será a vez de Jorge Soares com a dissertação intitulada Modelo de Negócio para Software como Serviço - Estudo sobre Software de Gestão para Pequenas e Médias Empresas. Sempre na sala de atos da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.
2013-01-25
Modelo de negócio para software como serviço
Na confluência da estratégia com o empreendedorismo há inúmeras oportunidades de investigação. Se lhes adicionarmos aspectos relacionados com tecnologia e inovação, os desafios podem ser ainda mais aliciantes. Foi o que Jorge Soares fez. Pegou num tema deveras actual e trabalhou-o no contexto da dissertação intitulada Modelo de Negócio para Software como Serviço - Estudo sobre Software de Gestão para Pequenas e Médias Empresas que pude orientar e que a seguir se resume:
Num mundo onde as tecnologias de informação têm bastante predominância nos processos das empresas, é natural que este tipo de tecnologia assuma uma responsabilidade acrescida nos resultados finais das empresas. Com os ciclos tecnológicos a ocorrerem em média a cada 15 anos, é fulcral que os fornecedores de software de gestão acompanhem e se adaptarem aos novos ciclos, adaptando não só o produto, mas também os modelos de negócio dos mesmos. Este estudo avalia as características a considerar na definição de um modelo de negócio para a distribuição de software de gestão sob a forma de serviços. Incide sobre os componentes gerais de um modelo de negócio e também nas características dos serviços de software de gestão. É utilizada uma metodologia de estudo predominantemente quantitativa e exploratória utilizando a técnica de inquérito por questionário que foi submetido a uma população de 4989 pequenas e médias empresas que se caracterizam por serem clientes de um dos fornecedores de software de gestão com maior cota de mercado em Portugal. Obtém-se assim uma amostra representada por 70 empresas que permitiram retirar conclusões que poderão servir de guia para os fornecedores de software de gestão que pretendam criar um modelo de negócio para venda de software de gestão como um serviço.
2013-01-18
Relacionamentos internacionais
Para quem aprecia relacionamentos internacionais, neste caso de PMEs, entenda-se, fique sabendo que a prova a que me referi anteriormente, inicialmente agendada para a próxima semana, será afinal realizada no dia 1 de fevereiro pelas 16 horas no sítio do costume. Estará em causa A Influência das Redes de Relacionamento no Processo de Internacionalização das Pequenas e Médias Empresas. Trata-de da dissertação de Amadeu Martins.
Na prova de mestrado em que participei na qualidade de orientador da dissertação intitulada Comportamento Competitivo no Seio de Alianças Estratégicas Horizontais, da autoria de Ana Peixoto, apresentei as seguintes ideias que quero aqui registar. Com a expectativa de que sejam ponderadas, pelo menos por aqueles que pela primeira vez trilham os caminhos sinuosos da pesquisa em gestão. Tratam-se de ideias simples - e algumas certamente discutíveis - que me ocorreram para partilhar com quem pretende desenvolver pesquisas de mestrado de natureza qualitativa. Aqui vai:
1 - Toda a pesquisa tem que ser orientada por objectivos de investigação. Não basta formular objectivos. Estes têm que ser relevantes e devem ser devidamente sustentados. A melhor forma de sustentar objectivos é rever a literatura sobre o tema.
2 - Numa pesquisa qualitativa, os objectivos devem ter tradução em algo que se possa testar. Esse algo são as proposições. Registe bem: devem ser formuladas proposições para pesquisa. Se assim não for, há o sério risco da dissertação se converter numa divagação. E a divagação é algo de indesejável em ciência.
3 - Numa pesquisa qualitativa, a dimensão da amostra é uma "não-questão". Contudo, na eventualidade do investigador optar por uma abordagem baseada no estudo de caso, pelo menos nas minhas áreas de pesquisa, o ideal é estudar no mínimo dois casos (idealmente três, quatro ou cinco casos). A teoria diz - e a minha experiência comprova-o - que raramente o estudo de um único caso produz contributos relevantes, sobretudo quando há imensas barreiras no acesso a dados e o tempo disponível para "escavar" é demasiado escasso. Por outro lado, com um único caso, não é viável fazer comparações, contrastes. Enfim, torna-se bem mais difícil gerar contributos valiosos.
4 - Na recolha de dados primários de natureza qualitativa é preciso duma vez por todas distinguir pesquisa científica de outras formas de recolha de dados. Em pesquisa, tem que haver dados em quantidade e qualidade adequada e robusta para testar proposições. E esses dados devem ser recolhidos com método. O método, sempre o método. O «penso, logo existo» tem que combater a comodidade do «penso logo».
5 - Não basta recolher dados. Eles têm que ser tratados. Não podem ser sujeitos a uma contemplação e apreciação subjectiva. Têm mesmo que ser analisados objectivamente com a aplicação de técnicas adequadas. Só assim é que os dados podem gerar informação e esta produzir conhecimento. Sem conhecimento não há contributo.
1 - Toda a pesquisa tem que ser orientada por objectivos de investigação. Não basta formular objectivos. Estes têm que ser relevantes e devem ser devidamente sustentados. A melhor forma de sustentar objectivos é rever a literatura sobre o tema.
2 - Numa pesquisa qualitativa, os objectivos devem ter tradução em algo que se possa testar. Esse algo são as proposições. Registe bem: devem ser formuladas proposições para pesquisa. Se assim não for, há o sério risco da dissertação se converter numa divagação. E a divagação é algo de indesejável em ciência.
3 - Numa pesquisa qualitativa, a dimensão da amostra é uma "não-questão". Contudo, na eventualidade do investigador optar por uma abordagem baseada no estudo de caso, pelo menos nas minhas áreas de pesquisa, o ideal é estudar no mínimo dois casos (idealmente três, quatro ou cinco casos). A teoria diz - e a minha experiência comprova-o - que raramente o estudo de um único caso produz contributos relevantes, sobretudo quando há imensas barreiras no acesso a dados e o tempo disponível para "escavar" é demasiado escasso. Por outro lado, com um único caso, não é viável fazer comparações, contrastes. Enfim, torna-se bem mais difícil gerar contributos valiosos.
4 - Na recolha de dados primários de natureza qualitativa é preciso duma vez por todas distinguir pesquisa científica de outras formas de recolha de dados. Em pesquisa, tem que haver dados em quantidade e qualidade adequada e robusta para testar proposições. E esses dados devem ser recolhidos com método. O método, sempre o método. O «penso, logo existo» tem que combater a comodidade do «penso logo».
5 - Não basta recolher dados. Eles têm que ser tratados. Não podem ser sujeitos a uma contemplação e apreciação subjectiva. Têm mesmo que ser analisados objectivamente com a aplicação de técnicas adequadas. Só assim é que os dados podem gerar informação e esta produzir conhecimento. Sem conhecimento não há contributo.
2013-01-04
Redes sociais e crescimento empresarial
O Papel das Redes Sociais no Crescimento Empresarial é o título da dissertação de Pedro Miguel Pinto Ribeiro. Como o próprio título reflecte, nesta pesquisa que orientei estudou-se a relação que existe entre as redes sociais e o desempenho, em particular o crescimento empresarial.
Esta dissertação aborda o papel das redes sociais no crescimento das empresas. Uma rede social pode ser definida como um conjunto de nós ou atores (pessoas ou organizações) ligados por relações sociais ou laços de um tipo específico, onde podem ocorrer trocas sociais, mas também trocas de informação e de negócios. O crescimento das empresas é um fenómeno heterogéneo e multidimensional, daí muitas vezes ser difícil definir e medir esse crescimento. Ao estudar o crescimento, através das redes sociais, parte-se do pressuposto que as organizações estão imersas em redes de relações sociais que influenciam a sua ação económica, e que através das suas redes de relações pessoais, os empresários e as suas empresas ganham acesso a recursos críticos. Recorreu-se a dados quantitativos, recolhidos através de um inquérito por questionário submetido a 210 colaboradores (onde 150 respostas foram consideradas válidas), de uma empresa do sector das tecnologias de informação e comunicação, com índices de crescimento significativos nos últimos anos. A presente dissertação analisa o papel das redes sociais no crescimento das empresas, mais concretamente na obtenção de vantagem competitiva, no acesso a informação e recursos indispensáveis para que o crescimento ocorra, na identificação de novas oportunidades de negócio e na sua internacionalização. Conclui-se que, de uma forma geral, existe a consciência por parte dos inquiridos que as redes sociais são uma fonte de vantagem competitiva, e que desempenham um papel importante e facilitador no acesso a recursos e informação, que posteriormente permitem às empresas identificar novas oportunidades de negócio, viabilizarem a sua internacionalização, e consequentemente alcançarem o crescimento. Em termos empíricos, a investigação vem alertar para a necessidade das empresas pensarem as redes sociais de uma forma mais estruturada e como potencial fonte de vantagem competitiva, evidenciando o papel que estas redes de relações desempenham na capacidade competitiva e no potencial de crescimento das empresas.
2012-12-24
Investigação original e relevante
Oportunamente coloquei neste blogue o resumo de três excelentes dissertações que pude orientar no Mestrado em Economia Industrial e da Empresa da Universidade do Minho (na lista abaixo a primeira delas foi co-orientada com Francisco Carballo-Cruz). Se têm limitações e margem de melhoria? Claro que sim. Mas também é verdade que estas dissertações mostram que no actual contexto pós-Bolonha, ao nível de mestrado é bem possível produzir trabalhos de investigação robustos e originais sobre temas actuais e relevantes de investigação. As respectivas provas, todas elas presididas por J. Cadima Ribeiro, estão já marcadas e decorrerão na sala de actos da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. Ficam a seguir registadas as datas e horas das respectivas provas com ligação para o resumo de cada uma das dissertações:
- Empreendedorismo Académico e Competitividade Regional - Estudo do Impacto do Empreendedorismo Académico na Competitividade de Três Regiões Portuguesas, da autoria de Lara Leite será apresentada e avaliada em 16 de janeiro de 2013 pelas 9:30 horas. A arguência estará a cargo de Paulo Mourão e José Carlos Pinho.
- Comportamento Competitivo no Seio de Alianças Estratégicas Horizontais, de Ana Peixoto será apresentada e avaliada em 9 de janeiro de 2013 pelas 9:30 horas. A arguência estará a cargo de Orlando Petiz Pereira.
- A Influência das Redes de Relacionamento no Processo de Internacionalização das Pequenas e Médias Empresas, de Amadeu Martins Gonçalves será apresentada e avaliada em 25 de janeiro de 2013 pelas 14:30 horas. A arguência estará a cargo de Manuel Herédia Cabral.
"Empreendedorismo Académico e Competitividade Regional - Estudo do Impacto do Empreendedorismo Académico na Competitividade de Três Regiões Portuguesas". É este o título da dissertação que Lara Isabel Fernandes Leite submeteu há dias com co-orientação minha em conjunto com Francisco Carballo-Cruz. Temas deveras aliciante e difícil de analisar:
«A competitividade regional é fomentada por vários elementos, nomeadamente do ambiente empresarial e das estruturas industrial, tecnológica e institucional das regiões. Vários modelos para a análise da competitividade regional têm vindo a ser implementados com base em indicadores objetivos, como a Formação Bruta de Capital Fixo e o número de patentes registadas por empresas regionais. No entanto, aparentemente, o papel das instituições de ensino superior não são considerados. Da mesma forma, pouco se conhece sobre o impacto das atividades desenvolvidas pelas universidades no aumento da competitividade de clusters regionais. De facto o papel da universidade contribui para o desenvolvimento económico regional de várias formas, através da pesquisa, da criação de capital humano por meio de ensino, do desenvolvimento e transferência de tecnologia, e até na criação de um meio inovador na região. Neste estudo pretende-se investigar a vantagem competitiva que as instituições universitárias incrementam a determinadas regiões. Em particular, analisa-se o papel das instituições de ensino superior na criação de novos negócios, assim como na cooperação com o setor de Tecnologias e Sistemas de Informação, em três regiões portuguesas (Minho, Grande Porto e Grande Lisboa) procurando verificar de que forma fomentam a competitividade empresarial e regional. Neste contexto, partindo de evidência empírica internacional, clarificou-se de que forma as atividades desenvolvidas pelas instituições de ensino superior têm impacto no aumento da competitividade regional, efetuando-se, a partir dessa informação, uma análise do impacto das universidades sobre o sector dos sistemas de informação em três sub-regiões portuguesas, partindo de uma análise estatística. Com o estudo pode-se concluir que as empresas recorrem à cooperação com várias entidades, como as universidades, para colmatar as dificuldades em inovar, e que a magnitude do contributo das atividades desenvolvidas pela universidade não é tao grande como se esperava, no que respeita à competitividade regional.»
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